Arquivo | novembro, 2011

DE DROITE OU DE GAUCHE?

27 nov

Aproveitando o último post que eu fiz, quero começar uma coluna nova aqui no blog.

Eu sou um apaixonado também pela profissão que eu escolhi, pelo curso que optei na graduação. Acho que o Direito está em nossa vida o tempo todo e que cada vez mais teremos que lidar com questões que dizem respeito a todo mundo, por isso pretendo trazer algumas polêmicas por aí para que não nos esqueçamos também do senso crítico.

E apesar de o mundo ser cada vez mais um jardim, termos acesso a qualquer coisa num piscar de olhos e cada país ser realmente um vizinho, acho que muita gente esqueceu do Direito e veio ser gauche nessa vida.

E conforme comentei anteriormente, em abril deste ano fui visitar o Parlamento Europeu, em Bruxelas, quando me deparei com esta exposição maravilhosa!

Eram várias imagens, lindas e chocantes, com textos explicando o contexto social de cada uma. Índia, Nigéria, Malásia … pessoas portadoras de HIV, infectadas com tuberculose ou malária …

E a aquela mensagem foi o que me impressionou mais ….

Apenas pessoas comuns, nada de excepcional, cada um seguindo sua rotina. Alguns na Europa, outros não. Muitas vezes sem nem atentar para o que deveria, para o que tem vida, para o que tem viço. Mas para aquelas pessoas das fotos, havia uma diferença. Sofrem daquelas enfermidades em locais onde não há tratamento, remédios ou expectativa.

E é assim mesmo. Esta semana uma mulher foi condenada a 12 anos de prisão por adultério, pois denunciou seu cunhado que a estuprou. E suas vizinhas ainda são servidoras Trotski. E na América Latina ainda tem feminicídio …

(Poema de  Sete Faces)

(…)

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

(…)

E você? Não se conforma com o quê?

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Making Fighters

25 nov

Hoje, dia 25 de Novembro é o dia mundial de combate à violência contra as mulheres.

Isso aí.  Já aprendemos à ir até a lua, a recriar movimentos humanos em robôs e a atravessar o mundo em poucas horas. Mas ainda não internalizamos que ao atravessar o mundo não devíamos apenas deixar pra fora da bagagens certos preconceitos, mas trazer de todos os lados novas visões de mundo impregnadas de respeito.

Pode até ser meio tacanho da minha parte pensar assim, mas não consigo conceber que em 2011, num mundo em que parece um jardim, ainda precisamos lutar para promover a igualdade entre as pessoas. Igualdade quando a diferença não inferioriza, diferençs quando a igualdade descaracteriza. 

E nem precisamos ir muito longe e trazer à baila discussões sobre o direito à cultura dos povos, as tradições arraigadas e a ladainha de mundo árabe, gueishas e etc. Trago daqui do nosso país em exemplo que nos prova que nem em nosso pequeno espaço conseguimos implementar o respeito, tolerância, coexistência …

Aqui mesmo, uma mulher precisou percorrer todas as instâncias do judiciário, em mais de 15 anos de luta, para conseguir se afastar do marido que a espancou, eletrocutou, esfaqueou … só depois dela, de ir até a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e à Corte Interamericana de Direitos Humanos que conseguimos ter uma lei promulgada para a específica defesa das mulheres em nossa sociedade.

Foi com ela, Maria da Penha, que o Brasil reconheceu que ainda hoje muitas mulheres sofrem em todos os nossos estados, que não bastava haver tratamento como para quaisquer outros cidadãos. E ressalte-se que a criação da lei foi determinada pela Corte a quem o Brasil escolheu se submeter, ou seja, foi mediante a uma bronca internacional. Vergonhoso né.

Neste sentido, recomendo a leitura deste texto escrito pela ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, em que traz dados alarmantes e o fato de, ainda hoje, ouvirmos piadinhas e comentários sexistas, que com humor passam batido por aí mas na verdade influem para manter arraigada em nós uma cultura de superioridade de alguns.

“A pergunta é: que mais podemos fazer para enfrentar esse flagelo? Há informação e diagnósticos, mas faltam investimento constante e sustentável e vontade política dos governos nacionais e locais.”

Pois, que este 25 de Novembro sirva de exemplo para todos e nos lembre que não basta fazer vistas grossas ou mais uma piadinha.  Logo quero postar fotos de uma campanha que me marcou muito, em Bruxelas, e espero que de alguma forma todos façam sua parte para acabar com tantos absurdos que existem por aí, por aqui.

P.S. A Corte Interamericana de Direitos Humanos exerce seu papel quando a Comissão recomenda que haja um posicionamento, visto que os países que assinaram seu tratado são omissos na manutenção da justiça.

É preciso muito caos interior …

24 nov

… para parir uma estrela que dança – Nietzsche.

Concordam?

Lembrei desta frase esses dias quando ouvia uma música.

Em Lisboa há uma estação de metrô chamada Parque, que fica ao lado do Parque Eduardo VII, um dos meus preferidos. E o legal desta estação é que era inteira decorada com frases de autores famosos. Pequeno Príncipe, Mao Tsé, Nietzsche … estão todos lá.

E como eu sempre pegava metrô nesta estação, que era do lado da minha casa, ficava sempre lendo e relendo tudo, cada dia interpretando de uma forma diferente.

Mas o assunto deste post são algumas cantoras que me agradam muito, talvez pela intensidade que emprestam às suas canções.  Já falei sobre a Adele antes (neste post)  e sobre o lindo disco que ela gravou quando sofreu uma desilusão … Inclusive ela fala em uma entrevista, com aquele seu sussurro, britânico e delicioso, que se imaginava com 40 anos ainda sem superar o amor dos 20, espiando seu ex com a nova família e pensando “I hope you’d see my face and be reminded that for me, it isn’t over” . Haja tristeza pra durar uma vida toda hein?!

E a Amália, de quem eu também já fale por aqui, a grande dama do fado … saudades, lamentos e rejeições. Como deve ter sido difícil passar por tanta tristeza antes de transformá-la em beleza e dividir com o mundo. Ou será que, de diferente, elas só encararam de frente tudo o que sentiam e se permitiram sofrer em público, pra talvez atenuar?

E eu poderia continuar este post por mais uns dias, divagando com Maysa, Edith, Amy e tantas outras. Será mesmo que tanta dor foi a responsável por canções com tanto pesar? Ou foi a sinceridade nelas posta que nos cativou e identificou?

Ufa …

A única certeza que eu tenho é que esta entrega dá ao mundo muito mais balanço em seu girar!

“I wish I could say no regrets
And no emotional debts
‘Cause as we kissed goodbye the sun sets
So we are history
The shadow covers me
The sky above a blaze
That only lovers see
and my tears dry on their own”
De Amy, que de tanto se cuidar sozinha, se entregou depois de tanto abrilhantar nossos dias.

Maybe this Christmas will mean something more …

15 nov

… maybe this year, love will appear deeper than ever before.

Acho realmente meio mágico que a cada ano o natal chega antes, e também como a cada ano eu pareço me apaixonar mais por esta época. É quando somos brindados pelas luzes, coloridos, encantamentos e tudo mais que o natal nos traz. 


Aqui em casa sou sempre eu a tomar a iniciativa de montar a árvore, enfeitar a casa, convocar todos para ver as decorações de shoppings e ruas de Curitiba e seu natal de luz.  E desde pequeno aprendi com a minha mãe como construir uma data tão bonita bem perto de mim.

A começar pela nossa árvore. Primeiro temos que armá-la e arrumar seus galhos. Lembro que eu sempre arrumava um a um, retinhos, alinhados metodicamente, e então era alertado que, na verdade, eu devia torcê-los, bagunçá-los e brincar com seus movimentos. Afinal que graça tem uma árvore sem vida ou sopro de vento?

E então minha mãe continuava a teorizar. Antes de passarmos à diversão dos enfeites, era necessário que nos iluminássemos. Testar as luzinhas nem sempre é animador, mas só com um pouco de esforço a beleza que nos cerca poderá ser ressaltada. E, por fim, os enfeites. Primeiro as bolas, devidamente distribuídas e equilibradas. Os laços, os anjos, os presentes … cada categoria em seu turno, sempre dividindo e procurando não amontoar uma só cor ou tipo em galhos muito próximos.

E acho que nada disso se difere muito da nossa vida. Há quem diga que a vida são os andaimes que usamos para construir nossa existência … eu posso dizer que ela é uma árvore de natal. Firme, plena nas imperfeições e bem distribuída com seus enfeites que, em equilíbrio, serão ressaltados pela luz que emanamos de dentro.

meu natal 2011

E assim, mais uma vez minha casa se encheu de vida, daqueles enfeites que contam por si um pouco da nossa história. Tem os meus preferidos, que sempre deixo no meio, na frente .. uns mais escondidinhos ..

Tem outros lindos que minha mãe mesmo fez, que têm a textura de seu carinho e a cor da nossa família … e eles disputam espaço com os que eram da minha vó, que ainda têm seu cheiro, com os sinos que ressoam suas doces risadas.

Então desta vez vou torcer novamente, que todos se surpreendam com o brilho da estação, que se misturem com o frescor do verão e as promessas de ano novo.  Vou esperar uma nova chance in this year, to love appear … 

explicando a TPM

11 nov

Como serviço de utilidade pública para nosso público masculino, vou ilustrar o dinamismo da TPM através de um simples diálogo:

A – Odeio calor.
B – Sério? Prefere frio?
A – Não, odeio frio também.
B – Nossa, quanto ódio no coração…
(crazy eyes)
A – Acertou em cheio. Aliás, neste exato momento estou odiando você também.
B – Nossa! Vou sair de perto então.

[ A tira um chocolate da bolsa e o ingere ]

A – Desculpe-me, ando meio irritada.
B – Percebi… Não faz mal, eu entendo…
A – Entende? Entende?! Você sempre tem que sair por cima, né? O maioral, o bam bam bam. Já pensou que às vezes você pode não entender de tudo, que pode não saber de tudo que acontece no universo?! Hein? Você nunca me escuta, nunca me dá atenção, fica me tratando desse jeito e depois ainda me chama de louca?
B – (!) Eu te chamar de louca?
A – O QUE?!! TÁ ME CHAMANDO DE LOUCA??!! VOCÊ. PERDEU. NOÇÃO. DO. PERIGO.
B – …

the end

M.

Love lifts us up where we belong!

7 nov

“Se vc não estiver dando ao mundo o melhor de si, para qual mundo vc está se guardando?”

Amsterdam - abril, 2011

Faz uns dias eu recebi essa frase de uma das minhas amigas mais queridas e, conversando hoje com a irmã dela, repetimos e nos prometemos dar cada vez mais o melhor que existe na gente.

O assunto começou porque eu disse estar meio ‘vulnerável’, me apaixonando em cada esquina por tudo e todos. Não vulnerável com medo de ser ou perder qualquer coisa, mas quase volúvel na medida em que tudo me interessa e me chama a atenção. Como diria Pessoa, ‘tudo me interessa, nada me prende’, sou um apaixonado, um espírito livre.

Acho que estar assim, leve, é resultado de um longo processo, nem sempre divertido. Como comentei neste post, o amor, o prazer e a beleza da vida só aparecem a quem se conhece, a quem se sente confortável na pele que habita; e, confesso, ter essas férias prolongadas, me dedicar aos estudos e me ausentar um pouco das rodinhas sociais teve um papel providencial nessa nova fase.

Acho que meus próprios textos no blog denunciam um pouco disso. Comecei a escrever pra desanuviar um pouco meu cérebro de tanta autoanálise, e consequentemente trabalhava várias vezes cada texto pra conseguir exprimir bem certinho o que eu queria dizer/pensar. Ultimamente, tenho estado mais afim às amenidades e, portanto, escrevendo os textos de uma vez só. A densidade deu espaço a uma leveza quase cristalina.

Enfim, são estes ciclos que nos fazem perceber a necessidade de se adaptar, de aprender com as coisas e, de novo e de novo, amar tudo que possa fazer bem. Pois espero que todos consigam se sentir assim, dispostos, alegres e com ânimo, que se conjuga com a esperança de concretizações. Neste mesmo período, venho juntando vários bons resultados que contribuem ainda mais para este processo.

A missão agora é ter cada vez menos medos, pés atrás, inseguranças e âncoras prendendo no passado. Vamos ‘desfazer os nós, criar bons laços’ e sim, se jogar cada vez mais afundo nessa vida.

Afinal, como diria Narcisa, ‘a vida é louca e absurda, mas um eterno aprendizado’ haha. Mas só há uma chance de mostrar ao mundo a delícia de ser quem se é; eu estou me esforçando ;]

O dia em que fumei com Joss Stone

6 nov

“Junção de inúmeras coisas de que eu gosto: sotaque britânico, soul, canções de amor. Joss Stone era minha cantora favorita, habitando o limiar entre admiração e obsessão. Por coincidências do destino, acabei por conhecer Jeff, o saxofonista de sua banda de apoio, que inclusive já fizera parte da banda de James Brown – um mito.

Eis que, em meados de Junho de 2008, Joss faria seu primeiro show no Brasil e uma das cidades escolhidas era justamente: Curitiba. Local do show: Teatro Positivo – do lado da minha casa. Sinal cósmico, pensei.

Fui a primeira pessoa a comprar ingresso. Primeira fila, no meio. Gastei todas minhas economias, mas recebi uma rosa (Roberto Carlos’ style) ao fim do show.

Estavam hospedados no Bourbon e havia uma profusão de fãs acampados em frente ao hotel, pré e pós show. Falei com Jeff, ele me convidou para um get together depois do show. Suite presidencial, Joss, membros da banda e otras cositas más. Esperei os seguranças expulsarem os fãs – reles mortais – e entrei no saguão do hotel – I’m Mary, Jocelyn’s waiting for me – a recepcionista ligou para o quarto e me deixou subir.

Cumprimentei todos, calafrios quando Joss me beijou o rosto. Ofereceu-me um cigarro, ain’t no tobacco, if you know what I mean. Tive que recusar, educadamente – sorry, I don’t do drugs – um sorriso irônico surgiu em seu rosto. Viramos a noite conversando, de futilidades à metafísica. Pedi a ela que proferisse minha frase favorita, com seu sotaque carregado – I beg your pardon – gravei no celular. Ouvi Aretha Franklin a capella, ensinei dirty words em português, rimos, gargalhamos.

Deixei o hotel às 5 da manhã; iriam dormir, pois viajariam para a próxima localidade da turnê ainda antes do almoço. Passei o dia sonhando acordada.

Vivem me pedindo maiores detalhes, quem sabe um dia eu conte. É uma história que contarei para meus netos. Uma história com um quê de invenção, que pode ser ou não.”

M.