Arquivo | janeiro, 2012

Fazendo as malas.

28 jan

“I can change, I can change. but I’m here in my mold”

Eis que mais uma vez tenho malas pra arrumar. Com medo de ‘passar necessidade’, começo a buscar tudo que possa precisar nos próximos dias.

O fato é que sempre tento levar toda a minha vida pra onde quer que eu vá .. uma roupa que marcou um momento legal, uma que eu me diverti com os meus amigos ou que ganhei de alguém especial num aniversário.  Sou assim, apegado e possessivo e pronto, não fui preparado pra abrir mão daquilo que me faz bem, que me faz ‘eu’.

Por isso também faço checklists pra não esquecer de nada e começo com vários dias de antecedência a arrumação, já que com certeza o espaço me fará condensar meus sentimentos ali materializados.

Porém desta vez a arrumação tem um gostinho diferente. Não estou propriamente indo em direção a novas culturas, sabores e arquiteturas que irão diariamente me surpreender como quando faço turismo. Vou trabalhar em outra cidade e estado – São Paulo. Com certeza um sopro de fresh air pra quem não gosta de monotonia.  Oportunidades não foram feitas pra se deixarem passar, por isso decidi ir conferir se o meu futuro profissional será longe daqui, mas infelizmente não vou levar comigo meu colchão, meus quadros, minhas fotos, meus passeios.

Osho já disse que devemos rasgar todas as nossas fotos, como sinal de desapego, mas eu ainda não sou desprendido a este ponto, quero levar tudo comigo:  cada risada, cada conversa, cada abraço de tanta gente que me moldou durante tanto tempo pra me fazer o que sou hoje.

Então é isso, vou lá conferir o mundo adulto e logo volto, to this ‘bittersweet simphony’, deixando tanto mas levando mais ainda, tantos objetivos e esperanças que caracterizam a minha profissão.  Já disse uma vez e acho pertinente para o momento … a partir de agora não teremos em nossa vida apenas pontos finais, mas aspas, vírgulas, parênteses e reticências e, entre nossas histórias, músicas, rimas e poesia; e que não temamos o alvorecer do novo, pois é na esperança que reside a coragem e sim, o que buscamos deve ser permeado de utopia.

2009 e eu já tinha estes dilemas.

Até já!!

 

a vida é offline

27 jan

Estou há séculos sem postar. Por falta de tempo (?), assunto (?), falta de [insira aqui qualquer desculpa que o convença].

Estou de mudança. Momento filosófico e intenso. Momento para se postar em blogs.

Gostaria de compartilhar com vocês um pensamento que me acompanha há muito tempo, expresso perfeitamente em uma frase cunhada por meu room-mate: ” a vida é offline”.

Admito que a tecnologia é tentadora e viciante. Meu vício vem desde a época do ICQ, quando ficava trancada em meu quarto absorvida pelos “Oh-Ow”s. Mas chega uma hora em que a gente se dá conta de que as relações virtuais tomam o lugar das reais. Não acho que as redes sociais sejam algo ruim, mas elas não devem ser substitutas das relações reais e sim algo complementar.

Não foram poucas as vezes que eu me flagrei em uma situação como a seguinte: quatro amigos ao redor da mesa, esperando o jantar, e conversando… com terceiros através do celular. É uma crítica a mim mesma, faço isso sem perceber.

Tenho que me policiar para não abrir o facebook de 15 em 15 minutos, para não checar meu e-mail a todo instante, para viver de uma forma mais orgânica, prestando atenção na paisagem e  não numa tela de LED.

Poderia escrever páginas sobre este assunto, mas acredito que todos têm seus próprios parágrafos críticos dentro de si. Assim, faço um apelo: vivamos mais a vida offline, antes que nos percamos em meio a bits e bytes de emoções virtuais.

M.

juridicando!

23 jan

“Temos o direito a sermos iguais quando a diferença nos inferioriza. Temos o direito a sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza. As pessoas querem ser iguais, mas querem respeitadas suas diferenças” .

Ou seja, querem participar, mas querem também ser reconhecidas em sua individualidade, afastando-se assim a despersonalização dos povos .

Neste sentido, os direitos humanos não seriam advindos de todos os seres humanos e estabelecidos de maneira igualitária, mas percebidos em cada local de forma diversa e como um instrumento a ser utilizado para a obtenção da desejada igualdade material, sujeitos, portanto, a interferências do sistema político-econômico, da concepção moral, dentre outros.

A foto fala bem mais do que quaisquer palavras que eu coloque aqui!

Some people want to fill the world with silly love songs!

12 jan

Já que foi falado aqui no blog sobre o musical Chicago, acho justo dedicar um post ao filme Moulin Rouge. Menos original do que a temática sobre advogados, ladrões e dançarinas e o glamour dos twenties, meu filme favorito fala de uma história de amor impossível – o poeta e a dançarina de cabaré.

O charme de Paris e sua decadência, os diálogos, o fascínio que a cortesã exercia sobre todos sob a face imaculada mesmo quando, descobrir-se-ia, estava contaminada pela tuberculose … A poesia-boho, Lautrec, Montmatre …

A maior declaração de todas, com Your Song de Elton John, já seria suficiente para amar a história, mas tem ainda o ponto alto da relação do casal, com Come What May … touching.

Never knew I could feel like this like I have never seen the sky before
I want to vanish inside your kiss, every day I love you more and more
Suddenly the world seems such a perfect place, suddenly it moves with such a perfect grace
Suddenly my life doesn’t seem such a waste, it all revolves around you
And there’s no mountain too high, No river too wide.

Mas para mim, o ponto alto do filme é a representação de muitas situações da nossa vida … o cérebro fazendo bullying com o coração. Para chegar à situação acima, quantos momentos de dúvida, hun?!

Em Elephant Love Medley, Christian e Satine começam discutindo sobre a importância do amor e o fato de ser uma coisa esplendorosa ou simplesmente um jogo. Ela se mostra com os pés no chão, analisando todas as possibilidades de o amor não vigorar … mas ao final se entrega, claro, pois nota ‘ how wonderful life is now you’re in the world”.

Vale a pena ler/ouvir o trecho!

**I wanna fill the world with silly love songs!**

Earth without art is just EH

9 jan

Gosto muito esta frase pois, realmente, a arte nos traz sempre bons momentos, um respiro no meio de tanto cinza que vemos por aí.

E justamente por isso, sou um grande fã da street art, das intervenções urbanas que, seja por protesto ou simplesmente pra tentar mudar umpouco  os ares, nos fazem parar e sorrir um pouquinho.

Este site (http://araka.com.br/index.php/as-100-melhores-fotos-de-arte-urbana-de-20110/) acabou de lançar uma retrospectiva sobre as melhores fotos de 2011, entao resolvi mostrar também as minhas preferências!

No Brasil, infelizmente, não é o comum termos a sorte de ver algo assim, não é?! Em São Paulo, por exemplo, recentemente a lei que proibia publicidade nas ruas, outdoors e etc. foi deixada mais maleável, permitindo que fosse feita em paredões de prédios. Isso, desde que respeitados alguns limites. A KLM, por exemplo, absteve-se de colocar sua marca neste mural, que na minha opinião, ficou bem bonito:

Já este muro, pixado, acho lindo lindo!

Já em Lisboa, o que é comum são os protestos, os reclames contra o governo e as provocações para que ninguém se acomode … Assim como os desenhos temático e, no bairro de Alfama, versinhos e poesias! Os anjinhos eram na esquina da minha casa e eu adorava passar por eles todos os dias =)

                                                                                                                                                              E, por fim, alguns que também ficam em fachadas de prédios, em Bruxelas onde são muito  recorrentes. Na verdadeé o lugar onde eu mais vi  dessas intervenções.  O primeiro é um manifesto contra a AIDS que eu já publiquei em outro  post  aqui do blog, e o segundo um mural com o Tin-Tin, desenho que foi  criado lá mesmo, em Bruxelas.

PS. Todas as fotos fui eu quem tirei, por isso nem sempre muito bem anguladas!

Cortar o tempo?

8 jan

Estamos, de fato, em um ano que se denomina novo. Mas, assim como em várias outras situações da vida, há pouca coisa que muda efetivamente.

Por exemplo, ao assumir um novo cargo, o que muda é a função que desempenhamos, mas continuamos a ser exatamente a mesma pessoa de antes, não obstante um ritual.

E no mesmo sentido dos questionamentos de Drumond sobre a ideia de cortar o tempo e a beleza da renovação que o acompanha, como mensurar o tempo que passou?

” five hundred twenty-five thousand six hundred minutes … how do you mesure a year” ?

Por isso o post de hoje vem com um trecho do musical RENT que nos trás várias ideias de como contar nosso tempo!

“Five hundred twenty-five thousand moments so dear
 
In daylights – in sunsets – in midnights – in cups of coffee.
In inches – in miles – in laughter – in strife”
 
How about love?
 
Dias, meses, anos, que nada. O que  valem são nossos  bons  momentos 😉

Que seja doce!

2 jan

“Te desejo uma fé enorme. Em qualquer coisa, não importa o quê. Desejo esperanças novinhas em folha, todos os dias.  Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso.

Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes.

Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito.

Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.  Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz.

As coisas vão dar certo.

Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa. Te quero ver feliz, te quero ver sem melancolia nenhuma.
Certo, muitas ilusões dançaram. Mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas.

Então que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce.

Quando há sol e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo;
repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.

Que seja bom o que vier, pra você.”

Palavras lindas que eu pego emprestado neste começo de ano, tentando ao máximo aproveitar a doçura que há por aí. Afinal, já dizia Neruda que a poesia não é de quem escreve, mas de quem precisa dela!

Que seja bom o que vier +)