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Cheira bem, cheira Lisboa

6 out

Torre de Belém, 2011

Lisboa cheira aos cafés do Rossio

E o fado cheira sempre a solidão

Cheira a castanha assada se está frio

Cheira a fruta madura quando é Verão.

Quem tomou uma B.I.C.A (beba isto com açúcar), um café com leite, na praça do Rossio, não lê o trecho acima sem sentir um arrepio. As castanhas portuguesas, das quais se fazem o melhor marrom glacê, os vinhos do Alentejo,  o bacalhau com natas e as sardinhas na brasa também deixam saudade.

E pra tirar o cheiro das sardinhas das mãos, esfregá-las nos manjericos, adornados com poemas. As mudinhas do tempeiro, não podem ser cheiradas diretamente, apenas por meio da palma das mãos. Do manjerico de Santo Antônio, à São Vicente de Fora, que o costume me traga sorte.   E com esta simbologia, que o fado me seja só um capricho, e não um choro da alma.

Mosteiros, Santa Clara, Nossa Sra. de Fátima .. que tantas beatas de preto me tragam só bons presságios.

Bom seria se Lisboa deixasse apenas lembranças gastronômicas. Mas cada beco de Alfama se apresenta como pela primeira vez quando perde-mo-nos, assim como cada pôr-do-sol no Castelo de São Jorge.

Os pastéis de nata, em Belém, são feitos às metades, em duas cozinhas, para que se preserve a receita original. Assim como as tradições de andar pelo elétrico na cidade das 7 colinas, ou caminhar pela Liberdade e sentir o sopro dos novos tempos em contraste. Como ler sempre como à primeira vez um poema de Pessoa, de Florbela, de Amália.

Mosteiro dos Jeronimos, 2009

Estar em Lisboa aos 25 de Abril, é receber uma ‘chuva’ de cravos vermelhos, em homenagem à revolução que marcou todos os ‘tugas’. Estar em Lisboa aos 20 anos, é ver tudo tão diferente quanto parecido, é ver um povo tão moderno e conservador que só o velho mundo pode nos apresentar. Quando Paris estava em seu esplendor, na década de 40, cantou-se à Lisboa que não fosse francesa, que preservasse sua alma portuguesa; e hoje eu canto, que seja minha, que se preserve aos meus olhos, que se apresente nos meus caminhos.

“Se uma gaivota viesse trazer-me o céu de Lisboa, no desenho que fizesse, nesse céu onde o olhar é uma asa que não voa, esmorece e cai no mar,

Que perfeito coração no meu peito bateria, Meu amor na tua mão, nessa mão onde cabia perfeito o meu coração”.

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Próxima parada …

3 out

Mais uma vez estou com ganas de viajar.

E mais uma lista de destinos preparados pra acontecer. Como Aristóteles, não sou ateniense nem grego, mas um cidadão do mundo, e acredito que nos reconhecermos em outras culturas e costumes faz parte da alteridade.

Negar a identificação no outro, na minha opinião, é negar o que nos faz humanos, evitar a nossa essência e permanecer em um mundo de sombras.  O auto conhecimento, essencial para compreensão das relações interpessoais e obtenção de uma melhor qualidade de vida, passa pelo contraste com o diferente, pelo contato com o novo.

Então, que a cada dia eu possa me ‘perder para me encontrar’  (Florbela Espanca), que me identifique e faça a autoanálise que edifica. Em tempos de amor líquido, que consiga aproveitar o que a maleabilidade tem de bom e seguir rotas para todos os pontos cardeais.

Padre Antonio Vieira já brindou o período barroco brasileiro com escritos neste sentido e, concordando, que eu possa escolher para viver tantas terras quanto os caminhos me oferecerem, abandonando o provincianismo que é tão confortável.

“Nascer pequeno e morrer grande, é chegar a ser homem. Por isso nos deu Deus tão pouca terra para o nascimento, e tantas para a sepultura. Para nascer, pouca terra; para morrer toda a terra. Para nascer, Portugal: para morrer, o mundo”

Image

Rua do Correio Velho, Lisboa, 2009

A perversão da liberdade de expressão

30 ago

Mais triste do que as chacotas é a ignorância. Referir-se a ‘bule’ propagando uma forma errada de escrever, tratar com desdém as ‘professorinhas’, nada mais é que reiterar o descaso do governo com a educação pública e aceitar todas as mazelas do nosso sistema.

Analisando o bullying nas escolas e estimulando as crianças a estudarem o mundo, a filosofia e a antropologia, evitaria, de início, muitos dos problemas de aceitação e coexistência não somente nas escolas, mas na avenida paulista, nas praças, no comércio e em qualquer outro lugar em que o convívio social se faz presente.

A legislação brasileira mostrou-se atrasada ao não reconhecer em tempo as uniões homoafetivas e, em resposta ao clamor social, o STF ‘legislou’ e abriu um precedente para o reconhecimento de união de pessoas do mesmo sexo. Após isso, o poliamor. Antes, famílias monoparentais e assim por diante. Seria melhor deixar tantas crianças ao léu do que permiti-las uma família?

O conceito de família, segundo este senhor, está afastado do encontro amoroso entre barbudos ou freirinhas. Ora, alguém que se julga esclarecido o suficiente para propagar a opinião de que o atentado aos bons costumes ocorrido no Paraná irá estimular o bullying, por si só estigmatiza algo que, segundo a Organização das Nações Unidas, é um direito fundamental de qualquer cidadão.

Chamar filhos adotivos de ‘mentira piedosa’ é algo ofensivo e despido de qualquer espírito de sociedade ou coletividade. A letra fria da lei define que entre filhos naturais ou adotivos não pode haver distinção – lei que, como qualquer outra, tem objetivados os direitos do cidadão e, portanto, salvaguarda aquilo que há de mais importante para qualquer ‘ser’ que possa ser reconhecido como ‘humano’. Ainda, trazer a biologia a esta pauta, me parece ato, com o perdão do trocadilho, estéril. Não se pode ser filho de mulheres sem útero, de homens inférteis, mas se pode ser filho de pessoas sem amor. A escolha da adoção, diferente de muitas outras, parte de um amor que transborda os limites naturais e traz para uma vida, outra que será cuidada e lapidada ao longo dos anos. E apesar dos percalços que a vida pode impor, bem faz o Estado em auxiliar a cidadania e permitir que seres dotados de amor possam dividi-lo e gerar famílias mais sociais – sejam heteros, homos, barbudos, efeminados, cristãs ou de qualquer outro tipo.

Que o abuso da liberdade de expressão hoje percebida, sirva de exemplo para que o juízo de ponderação seja propagado e, em 50 anos, possamos escrever livros sobre o absurdo que perdurou após o advento das constituições cidadãs do século XXI.

http://www.gazetadopovo.com.br/m/conteudo.phtml?tl=1&id=1292008&tit=Perversao-da-adocao

Marcha das Vadias 2012

6 jul

Em meio às crises financeiras que assolam a Europa e os conflitos armados que vêm acontecendo na Síria, Líbia, Israel etc., um movimento feminino vem ganhando espaço nos meios de comunicação pelo nome provocante: Marcha das Vadias.

Iniciado no Canadá, a denominação advém do fato de um policial ter alertado a população feminina para que parasse de se vestir como ‘vadias’ para não serem abusadas sexualmente. Devido ao fato iniciaram-se as manifestações em todo o ocidente para firmar um posicionamento de liberdade material feminina, isolado do preconceito que ainda se mostra arraigado nas sociedades.

Ironicamente, todavia, muitas mulheres vêm se mostrando contrárias às manifestações por conta do nome escolhido sem perceber que esta provocação tem o fito de chamar atenção para um problema grave. Equecem-se que a busca pela igualdade de gênero e conscientização social depende da ação de todos para que se possa desenraizar um preconceito que ainda é regra.

Com o pós feminismo e as cartas de liberdade promulgadas, costuma-se afirmar que as sociedades de hoje estão livres de preconceito – atendo-se, nesta análise, aos países ocidentais e democráticos. Apesar da positivação das liberdades individuais e do escopo de acabar com todas as formas de preconceito, esta realidade ainda se mostra muito distante. Porquanto os Códigos Penais mostram uma tendência de especificar cada vez mais os crimes para controlar as formas de ódio que ainda existem. Exemplo recente disso foi o Código Penal argentino está em vias de criminalizar atos de violência respaldados no gênero, com agravantes que podem chegar à prisão perpétua. Dentre os gêneros protegidos, estão os direitos de gays, lésbicas, travestis e, também, das mulheres, que vem sendo vítimas do que se denominou ‘feminicídio’.

O termo citado difere de ‘femicídio’, que foi utilizado pela primeira vez no livro ‘gendercide’ pela autora americana Mary Ann Warren[1], que fazia referência ao fato de que mulheres entre 15 e 44 anos possuem mais chances de serem mutiladas ou assassinadas por homens do que irem a óbito por motivos de doenças como câncer, malária, bem como acidentes de trânsito ou vítimas de guerra – todas estas causas somadas.

Dentro de referido contexto é que surgiu o termo ‘feminicídio’, para quando a morte de mulheres possui fundamento político ou vingativo. Enquanto o primeiro tempo refere-se ao assassinato de pessoas do sexo feminino, o segundo analisa a fundamentação dos crimes, advindos da condição de mulheres das vítimas. A antropóloga mexicana Marcela Lagarde[2], inclusive, entende que o feminicídio é uma vertente do genocídio que, no Estatuto de Roma possui a seguinte conceituação:

(…) Qualquer um dos actos que a seguir se enumeram, praticado com intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, rácico ou religioso, enquanto tal:

a) Homicídio de membros do grupo;

b) Ofensas graves à integridade física ou mental de membros do grupo;

c) Sujeição intencional do grupo a condições de vida pensadas para provocar a sua destruição física, total ou parcial;

d) Imposição de medidas destinadas a impedir nascimentos no seio do grupo;

e) Transferência, à força, de crianças do grupo para outro grupo.

Sobre o assunto, Celso Lafer, a partir da obra de Hannah Arendt, infere que o genocídio tem a ver com a privação da cidadania, do direito a ter direitos, vez que a igualdade “não é um dado, mas uma consciência coletiva construída”. Ainda, que o genocídio se mostra grave dentro do conceito de crimes contra a humanidade por recusar a pluralidade e a diversidade[3].

Vale ressaltar que a criação do Tribunal Penal Internacional se deu em resposta ao clamor mundial pelo combate à impunidade e, apesar das inúmeras criticas que a ele se fazem e dos problemas que o circundam, o Tribunal está criado e, na atual situação de globalização do mundo, trata-se de um caminho sem volta. Ao Tribunal cabe exercer jurisdição sobre quatro diferentes crimes, quais sejam: genocídio, crimes de guerra, crimes contra a humanidade e crime de agressão[4].

Mas em relação à sua atuação, vale dissociar suas atribuições daquelas da Corte Internacional de Justiça, que também é localizada na cidade de Haia – Holanda. A esta, de forma rasa, incumbe julgar e responsabilizar ações de Estados e não ações individuais como o Tribunal Penal Internacional. Este conceito será importante para que se possa analisar a decisão infra mencionada, a respeito dos crimes ocorridos no “Campo Algodonero”.

Voltando ao conceito de femicídio, inclui-se o feminicídio e ao tratar do assunto mostra-se impossível desviar do que há anos acontece no México, especificamente em Juárez. O município ficou conhecido como a ‘cidade dos mortos’, devido ao elevado número de homicídios que ocorrem frequentemente. Ela já foi considerada por alguns estatísticos como a de maior índice de violência no mundo, com números que apontam para 200 assassinatos a cada cem mil habitantes – mais que Bagdá, por exemplo, durante a guerra travada com os Estados Unidos[5].

Há muito a cidade virou palco de conflitos decorrentes do narcotráfico e de sua economia que não se estabiliza devido à fronteira com os Estados Unidos, visto que não é passível de concorrer com as ofertas do país. Sua condição fronteiriça também tornou a cidade local de tentativas de mexicanos tentarem fugir para o país vizinho, o que causa muitos conflitos com a polícia que ronda as divisas, e facilitou aos EUA que instalasse diversas fábricas, aproveitando assim o baixo custo de impostos e mão de obra. Desta forma, quem consegue algum emprego aceita as condições degradantes de trabalho a qualquer hora do dia e da noite, com salários baixíssimos e quase nenhuma dignidade.

Ainda, há que se salientar que mais da metade da mão de obra utilizada é de mulheres, que acabam se tornando vítima de abusos, mutilações etc. A insegurança que paira na cidade, somada ao sistema patriarcal e misógino que ainda impera, permite que os números cresçam a cada dia, devido as atrocidades cometidas nas madrugadas contra aquelas que saem das boates ou estão chegando nas fábricas. Por isto, o termo ‘feminicídio’ vem sendo usado para definir o que acontece na cidade – o clima de impunidade é tanto que fica-se à vontade para cometer atos criminosos contra as mulheres que, ao final, pagam com a vida o preço do preconceito.

Apesar da gravidade dos fatos e da morte de inocentes, o poder público mostrou-se inerte no sentido de solucionar os crimes. No mesmo sentido, a exemplo do policial canadense já citado, o prefeito de Juárez manifestou-se no sentido de que as vítimas mereceram o que lhes aconteceu, pois usavam vestimentas “provocantes”. Também, de forma a dar ainda mais ensejo aos acontecimentos que vitimam as mulheres, foi lançada uma campanha que incentivava os homens a “cuidarem de suas esposas”, ressaltando o caráter machista daquela sociedade.

Em 2007, por fim, o México criou a Ley General de Acceso de las Mujeres a una Vida Libre de Violencia, uma versão muito mais detalhada e aprofundada da Lei Maria da Penha no Brasil, na intenção de prover maior autonomia e garantir a integridade física e psicológica das mulheres. Todavia, a lei não se mostrou devidamente aplicada na região ora em análise. Um caso emblemático ocorrido foi o assassinato da ativista Marisela, em frente ao Palácio do Governo do estado de Juárez, enquanto manifestava contra a impunidade dos homens que sumiram com o corpo de sua filha.

Outro caso que chamou a atenção da comunidade internacional foi a do ‘Campo Algodonero’, local da cidade de Juárez onde diversas meninas, menores de idade, foram massacradas violentamente. Fato este, que levou a Corte Interamericana de Direitos Humanos, em 2009, a declarar o México culpado por se manter inerte às diversas violações do Direito à Vida, integridade e liberdades das mulheres violentadas – uma afronta aos artigos 5, 7, 8 e 25 do Pacto de São José da Costa Rica.

A denúncia foi feita pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que requisitou a corte que culpasse o estado por, além das omissões que tocam o direito a vida,  integridade, da criança e do adolescente, não ter provido garantias e proteções judiciais.

Pelo exposto, verificou-se que a violência de gênero não é exceção nas sociedades e, da mesma forma, vem sendo tratada com displicência pelos governantes, que normalmente veem com descaso os atos de violência praticados contra mulheres. A justificativa de tantos atos na inferioridade de uma classe é algo que não pode subsistir na sociedade, nem mesmo o aguardo de decisões da comunidade internacional para que algo comece a ser feito. Por isto a importância de manifestações como a ‘marcha das vadias’ que chamam a atenção para a revolta das mulheres ao serem tratadas com falta de humanidade por aqueles que detêm o poder político. Sem dignidade material provida a todos os indivíduos, a sua humanidade é posta em risco, o que acarretará cada vez mais atrocidades e necessidade de interferência internacional na soberania dos países, como ocorreu no México, privando os países de aterem-se a outros problemas que devem ser sanados, mas advindos de outros motivos que não o preconceito.


A Importância da Participação em Eventos no Exterior.

18 abr

No ano de 2012, pela segunda vez os alunos do Unicuritiba participarão de uma competição versando sobre Direito Internacional Penal, que ocorre na cidade de Haia, na Holanda.

A Holanda e Haia, sua capital política, há muito são conhecidas pelo respeito aos direitos e por serem uma área de neutralidade. A partir de 2002, portanto, a cidade recebeu as instalações do Tribunal Penal Internacional, novo vizinho da Corte Internacional de Justiça e de tribunais Ad Hoc, como os de Serra Leoa e Ex Iugoslávia.

Apesar de o TPI já promover referida competição há alguns anos, 2011 foi o primeiro ano em que uma universidade da América Latina marcou presença no evento. Apesar das dúvidas e inseguranças que o desconhecido imprime, o Brasil foi muito bem representado pelos seus alunos, que passaram cerca de um ano se aprofundando nos temas afins ao Direito Internacional e aos Direitos Humanos.

Logo nos primeiros dias, o confronto se deu com Harvard e Yale, bem como com universidades indianas que já se debruçam sobre os temas desde os idos 1950. Ainda, o contato com os estrangeiros nos permitiu descobrir que os norte americanos recebiam bolsas de estudo para se dedicar somente à competição (U$ 2.500,00 mensais =O), além de subsídios financeiros para a viagem. Fatos estes, que mostram a discrepância existente entre os alunos que participaram, mas que resta atenuada quando esforço e dedicação se unem em prol de um objetivo.

Desta forma, o pioneirismo destes alunos traça os novos rumos do Direito no Brasil. Além de chamar a atenção para o Direito Internacional em tempos de primavera árabe e tratados internacionais, é muito bom que a sociedade veja que sim, há algo a ser feito em relação às atrocidades que ainda subsistem em todos os continentes.

Em épocas de globalização, cada vez mais se percebe que cada ato repercute nos outros países, de modo que o engajamento pessoal e a troca de experiências com outras culturas, aliada às novas noções de como funciona a justiça internacional, mostra-se essencial aos novos operadores do direito.

Sentado no mundo!

If you wanna be my lover

13 abr
you gotta get with my friends. Make it last forever, friendship never ends!
 
Desde o dia primeiro deste mês estou em Curitiba por conta de um compromisso assumido junto à faculdade.  Mas em meio às aulas que faço de manhã e as reuniões de todas as tardes, minha vida tem sido uma sucessão de encontros com quase todos os amigos que me fizeram falta quando longe.
 
Barzinhos, baladas, jantares, cafés … uma miríade de happy hours e happy moments. Há tempos que eu não conseguia conciliar uma fase pessoal muito boa com uma vida social incrível. 
 
Verdade, estou super cansado e com olheiras. Mas passo os dias rindo do que aconteceu em cada uma das noites passadas, de cada uma das histórias/romances que eu ouvi e contei.
 
A maior dificuldade tem sido escolher em qual compromisso eu vou chegar atrasado por ter saído mais cedo do anterior, quais amigos encontrarei hoje, amanhã ou depois.
 
Sei que logo voltarei para o mundo real, mas o farei revitalizado por tanta energia boa que eu troquei com tantos queridos 😉
 
 

O mundo é uma escola, a vida é o circo

26 mar

Não costumo publicar textos que não sejam meus, mas o dia de hoje merece: Gentileza, por Fernanda Mello, via Cr^nicas Digitais.

“MAIS GENTILEZA, POR FAVOR!
Outro dia – numa roda de amigos – surgiu um assunto que me fez pensar: já repararam que nesses tempos modernos, deixamos a gentileza de lado e nos desculpamos pelos maus modos, colocando a culpa no estresse? Pode ser uma resposta atravessada por conta do trânsito caótico. Pode ser o prazo curto. A falta de dinheiro. A falta de tempo. A falta de saúde. A falta de graça na vida. Os motivos são muitos e não param. Mas será que – em nome das nossas “faltas” – temos o direito de sermos MENOS humanos? Onde foi parar a delicadeza, a gentileza, a educação e o respeito? Onde foi parar o que nós SOMOS?
Desculpe-me, mas é difícil responder. Estamos tão individualistas que mal percebemos o outro. Eu, pessoalmente, acho uma falta de inteligência privilegiar apenas o SABER e não valorizar quem tem uma visão generosa do mundo. Para mim, a combinação dos dois – conhecimento e sensibilidade – são um prato cheio para vivermos melhor. E crescermos tanto pessoal, quanto profissionalmente.
Infelizmente, não é isso que vemos por aí. O respeito parece ter saído de moda. Gentileza, então, virou gíria das nossas avós. Nada de “bom dia”, “boa tarde”, nem um olhar que te perceba como indivíduo.
Importante esclarecer: não gosto de generalizar. Conheço pessoas que – no meio do salve-se quem puder! – continuam a ser PESSOAS. Enxergam, em seus olhos, o outro. Oferecem – sem o menor constrangimento – um abraço sincero. Uma ajuda inesperada. Um elogio. Um silêncio na hora certa.
Isso, para mim, não é frescura. É apenas a boa e velha educação pedindo passagem… Implorando para não ser esquecida, dentro do carro, na hora do rush.
Claro que não é preciso dizer “obrigada!” a cada minuto. Mas antes uma palavra doce do que deixar nosso lado brucutu (acredite, todo mundo tem um!) falar mais alto e acabar com a CORDIALIDADE que ainda nos resta.
Você acha esse papo ultrapassado? Chegou, então, a hora de me desculpar. DE NOVO.
Sei que pode parecer ingenuidade minha, mas eu continuo com fé no ser humano. (E em mim). Acho que a pessoa que desenvolve sua sensibilidade para perceber o outro (seja no trabalho, em casa, na rua ou na fazenda), só tem a ganhar. Uma promoção. Um trabalho melhor. Um amigo de verdade. Um dia mais feliz. Ou apenas um sorriso que – a meu entender – já vale o esforço.
Por isso, venho escrever esse texto para tirar meu nó da garganta e alertar aos que ainda sabem ouvir: o mundo precisa de mais gentileza. E menos – muito menos! – cara amarrada”.