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Próxima parada …

3 out

Mais uma vez estou com ganas de viajar.

E mais uma lista de destinos preparados pra acontecer. Como Aristóteles, não sou ateniense nem grego, mas um cidadão do mundo, e acredito que nos reconhecermos em outras culturas e costumes faz parte da alteridade.

Negar a identificação no outro, na minha opinião, é negar o que nos faz humanos, evitar a nossa essência e permanecer em um mundo de sombras.  O auto conhecimento, essencial para compreensão das relações interpessoais e obtenção de uma melhor qualidade de vida, passa pelo contraste com o diferente, pelo contato com o novo.

Então, que a cada dia eu possa me ‘perder para me encontrar’  (Florbela Espanca), que me identifique e faça a autoanálise que edifica. Em tempos de amor líquido, que consiga aproveitar o que a maleabilidade tem de bom e seguir rotas para todos os pontos cardeais.

Padre Antonio Vieira já brindou o período barroco brasileiro com escritos neste sentido e, concordando, que eu possa escolher para viver tantas terras quanto os caminhos me oferecerem, abandonando o provincianismo que é tão confortável.

“Nascer pequeno e morrer grande, é chegar a ser homem. Por isso nos deu Deus tão pouca terra para o nascimento, e tantas para a sepultura. Para nascer, pouca terra; para morrer toda a terra. Para nascer, Portugal: para morrer, o mundo”

Image

Rua do Correio Velho, Lisboa, 2009

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O mundo é uma escola, a vida é o circo

26 mar

Não costumo publicar textos que não sejam meus, mas o dia de hoje merece: Gentileza, por Fernanda Mello, via Cr^nicas Digitais.

“MAIS GENTILEZA, POR FAVOR!
Outro dia – numa roda de amigos – surgiu um assunto que me fez pensar: já repararam que nesses tempos modernos, deixamos a gentileza de lado e nos desculpamos pelos maus modos, colocando a culpa no estresse? Pode ser uma resposta atravessada por conta do trânsito caótico. Pode ser o prazo curto. A falta de dinheiro. A falta de tempo. A falta de saúde. A falta de graça na vida. Os motivos são muitos e não param. Mas será que – em nome das nossas “faltas” – temos o direito de sermos MENOS humanos? Onde foi parar a delicadeza, a gentileza, a educação e o respeito? Onde foi parar o que nós SOMOS?
Desculpe-me, mas é difícil responder. Estamos tão individualistas que mal percebemos o outro. Eu, pessoalmente, acho uma falta de inteligência privilegiar apenas o SABER e não valorizar quem tem uma visão generosa do mundo. Para mim, a combinação dos dois – conhecimento e sensibilidade – são um prato cheio para vivermos melhor. E crescermos tanto pessoal, quanto profissionalmente.
Infelizmente, não é isso que vemos por aí. O respeito parece ter saído de moda. Gentileza, então, virou gíria das nossas avós. Nada de “bom dia”, “boa tarde”, nem um olhar que te perceba como indivíduo.
Importante esclarecer: não gosto de generalizar. Conheço pessoas que – no meio do salve-se quem puder! – continuam a ser PESSOAS. Enxergam, em seus olhos, o outro. Oferecem – sem o menor constrangimento – um abraço sincero. Uma ajuda inesperada. Um elogio. Um silêncio na hora certa.
Isso, para mim, não é frescura. É apenas a boa e velha educação pedindo passagem… Implorando para não ser esquecida, dentro do carro, na hora do rush.
Claro que não é preciso dizer “obrigada!” a cada minuto. Mas antes uma palavra doce do que deixar nosso lado brucutu (acredite, todo mundo tem um!) falar mais alto e acabar com a CORDIALIDADE que ainda nos resta.
Você acha esse papo ultrapassado? Chegou, então, a hora de me desculpar. DE NOVO.
Sei que pode parecer ingenuidade minha, mas eu continuo com fé no ser humano. (E em mim). Acho que a pessoa que desenvolve sua sensibilidade para perceber o outro (seja no trabalho, em casa, na rua ou na fazenda), só tem a ganhar. Uma promoção. Um trabalho melhor. Um amigo de verdade. Um dia mais feliz. Ou apenas um sorriso que – a meu entender – já vale o esforço.
Por isso, venho escrever esse texto para tirar meu nó da garganta e alertar aos que ainda sabem ouvir: o mundo precisa de mais gentileza. E menos – muito menos! – cara amarrada”.

Just a city boy .. took the midnight train going anywhere

5 fev

“a surpresa daquilo que você deixou de ser ou deixou de possuir, revela-se nos lugares estranhos, não nos conhecidos.”

Italo Calvino.

Nos comentários do último post uma querida amiga,que foi por muito tempo companheira de devaneios e, por já ter sido minha roomate me conhece muito bem, me mandou uma poesia do Alvaro de Campos, uma das paixões que dividimos. E analisando-o junto com a frase acima, fico com ainda mais borboletas ao pensar na minha nova empreitada.

Há uma semana eu fui, mas este final de semana voltei. Pro colo, pra casa, pro conhecido. Depois de uma festinha de despedida tive muito pra pensar durante a viagem que fiz e confesso, não foi fácil pensar que estava deixando-os para trás – mesmo sabendo que minha experiência em SP é, inicialmente, temporária. Não couberam em minha mala meus apegos, meus amigos, meus carinhos, mas certamente todas as lembranças. e junto com as lembranças, todas as inseguranças e o medo de não voltar, de não mais ter, de talvez esquecer.

Mas de fato, em lugares desconhecidos terei surpresas acerca do ‘eu’ que vou me tornar, de preferência de coisas ruins que eu tenha deixado de ser, com preconceitos que eu tenha deixado de possuir. Ora, a mudança é sempre positiva, acho, na medida em que podemos lapidar nossa existência e, portanto, só me resta concordar:

 Partir!  
 Nunca voltarei,  
 Nunca voltarei porque nunca se volta.    
 O lugar a que se volta é sempre outro,   
 A gare a que se volta é outra.  
 Já não está a mesma gente, nem a mesma luz, nem a mesma filosofia. 

 Partir!  Meu Deus, partir!  Tenho medo de partir!

Álvaro de Campos.

London Subway

Fazendo as malas.

28 jan

“I can change, I can change. but I’m here in my mold”

Eis que mais uma vez tenho malas pra arrumar. Com medo de ‘passar necessidade’, começo a buscar tudo que possa precisar nos próximos dias.

O fato é que sempre tento levar toda a minha vida pra onde quer que eu vá .. uma roupa que marcou um momento legal, uma que eu me diverti com os meus amigos ou que ganhei de alguém especial num aniversário.  Sou assim, apegado e possessivo e pronto, não fui preparado pra abrir mão daquilo que me faz bem, que me faz ‘eu’.

Por isso também faço checklists pra não esquecer de nada e começo com vários dias de antecedência a arrumação, já que com certeza o espaço me fará condensar meus sentimentos ali materializados.

Porém desta vez a arrumação tem um gostinho diferente. Não estou propriamente indo em direção a novas culturas, sabores e arquiteturas que irão diariamente me surpreender como quando faço turismo. Vou trabalhar em outra cidade e estado – São Paulo. Com certeza um sopro de fresh air pra quem não gosta de monotonia.  Oportunidades não foram feitas pra se deixarem passar, por isso decidi ir conferir se o meu futuro profissional será longe daqui, mas infelizmente não vou levar comigo meu colchão, meus quadros, minhas fotos, meus passeios.

Osho já disse que devemos rasgar todas as nossas fotos, como sinal de desapego, mas eu ainda não sou desprendido a este ponto, quero levar tudo comigo:  cada risada, cada conversa, cada abraço de tanta gente que me moldou durante tanto tempo pra me fazer o que sou hoje.

Então é isso, vou lá conferir o mundo adulto e logo volto, to this ‘bittersweet simphony’, deixando tanto mas levando mais ainda, tantos objetivos e esperanças que caracterizam a minha profissão.  Já disse uma vez e acho pertinente para o momento … a partir de agora não teremos em nossa vida apenas pontos finais, mas aspas, vírgulas, parênteses e reticências e, entre nossas histórias, músicas, rimas e poesia; e que não temamos o alvorecer do novo, pois é na esperança que reside a coragem e sim, o que buscamos deve ser permeado de utopia.

2009 e eu já tinha estes dilemas.

Até já!!

 

Some people want to fill the world with silly love songs!

12 jan

Já que foi falado aqui no blog sobre o musical Chicago, acho justo dedicar um post ao filme Moulin Rouge. Menos original do que a temática sobre advogados, ladrões e dançarinas e o glamour dos twenties, meu filme favorito fala de uma história de amor impossível – o poeta e a dançarina de cabaré.

O charme de Paris e sua decadência, os diálogos, o fascínio que a cortesã exercia sobre todos sob a face imaculada mesmo quando, descobrir-se-ia, estava contaminada pela tuberculose … A poesia-boho, Lautrec, Montmatre …

A maior declaração de todas, com Your Song de Elton John, já seria suficiente para amar a história, mas tem ainda o ponto alto da relação do casal, com Come What May … touching.

Never knew I could feel like this like I have never seen the sky before
I want to vanish inside your kiss, every day I love you more and more
Suddenly the world seems such a perfect place, suddenly it moves with such a perfect grace
Suddenly my life doesn’t seem such a waste, it all revolves around you
And there’s no mountain too high, No river too wide.

Mas para mim, o ponto alto do filme é a representação de muitas situações da nossa vida … o cérebro fazendo bullying com o coração. Para chegar à situação acima, quantos momentos de dúvida, hun?!

Em Elephant Love Medley, Christian e Satine começam discutindo sobre a importância do amor e o fato de ser uma coisa esplendorosa ou simplesmente um jogo. Ela se mostra com os pés no chão, analisando todas as possibilidades de o amor não vigorar … mas ao final se entrega, claro, pois nota ‘ how wonderful life is now you’re in the world”.

Vale a pena ler/ouvir o trecho!

**I wanna fill the world with silly love songs!**

Cortar o tempo?

8 jan

Estamos, de fato, em um ano que se denomina novo. Mas, assim como em várias outras situações da vida, há pouca coisa que muda efetivamente.

Por exemplo, ao assumir um novo cargo, o que muda é a função que desempenhamos, mas continuamos a ser exatamente a mesma pessoa de antes, não obstante um ritual.

E no mesmo sentido dos questionamentos de Drumond sobre a ideia de cortar o tempo e a beleza da renovação que o acompanha, como mensurar o tempo que passou?

” five hundred twenty-five thousand six hundred minutes … how do you mesure a year” ?

Por isso o post de hoje vem com um trecho do musical RENT que nos trás várias ideias de como contar nosso tempo!

“Five hundred twenty-five thousand moments so dear
 
In daylights – in sunsets – in midnights – in cups of coffee.
In inches – in miles – in laughter – in strife”
 
How about love?
 
Dias, meses, anos, que nada. O que  valem são nossos  bons  momentos 😉

if everything is worth it

8 dez

Sexta-feira passada teve um pocket show de um dos meus cantores favoritos – Tiago Iorc – na FNAC do shopping Barigui. O evento começava às 19h30 e eu tinha uma prova de matemática financeira às 19h. Evoquei os poderes de Grayskull, terminei 5 amortizações e planos de financiamento em 26 minutos cronometrados e debandei-me ao encontro de meu muso. Obviamente, Curitiba inteira resolveu passear no shopping e tive que percorrer vários laps pelo G1, G2, G3, G4, G5, G6 (not feeling very fly, entretanto), até que um benevolente rapaz do lava-car falou para que eu deixasse a chave ali que ele estacionaria para mim (achei meio suspeito, mas abstraí e larguei o carro – rezando uns 3 pai nosso).

Chegando lá, pude ouvir apenas as duas últimas músicas, além de ouvir o choro compulsivo das tietes de 15 anos que estavam levemente descontroladas. Como boa tiete idosa que sou, peguei a senha para ter o álbum autografado – de 96 senhas a minha era a… noventa e quatro. Enfim, tive bastante tempo pra jogar conversa fora e bolar cantadas infalíveis, juntamente com algumas amigas do curso de teatro que também estavam lá (é, faço teatro, ALÔ REDE GLOBO, fiquem de olho). Depois de um chááá de cadeira, ou melhor, um Fran’s Café de cadeira, fui ao encontro de Ti, como as fãs infanto-juvenis-levemente-descontroladas o chamam.

SENHA NOVENTA E QUATRO. Lá vou eu, com todo meu garbo e elegância, mesmo a festa não sendo na avenida. (Para que vocês entendam a astúcia do momento seguinte, devo lhes contar que uma das músicas do CD novo se chama “If everything is worth it”.) 

– Quem é você?
– Sou a Malu, mas tenho uma resposta melhor.
– Qual?
– Well, my name’s Malu and must say I’m not everything… but I’m totally worth it.

Háááááá. Momento pegadinha do malandro. Conversamos, demos risada, e, por fim, convidei-o para ir ao épico show da Tati Quebra Barraco. Ele não ficou muito interessado… I wonder why. O que importa é que meu autógrafo foi a coisa mais fofa do mundo, vejam:

Umbilical - Tiago Iorc

Não é??!!!

Na verdade, escrevi esse post com a intenção de dar mais ênfase à mensagem da música, mas acabo de perceber que já está comprido – se as pessoas forem que nem eu, terão preguiça de ler tudo. Serei breve. O refrão da música é o seguinte:

life is coming, again and again
it’s a crime to moan ‘bout everything
if everything is worth it

Tenho procurado seguir essa filosofia de vida, principalmente depois de um ano recheado de frustrações e perguntas sem respostas. Não podemos controlar o que acontece a nosso redor, por mais que procuremos planejar o futuro e interferir no curso natural das coisas. Podemos sim, entretanto, decidir como vamos encarar as situações que nos são apresentadas. Nesse aspecto, everything is worth it, tudo vale a pena, tudo traz uma lição, contanto que saibamos tirar algum proveito disso. Ter este comportamento, acredito, não nos é natural – é muito mais fácil reclamar. Ai, mas reclamar consome tanta energia… energia que poderia ser usada para coisas tão melhores! Papo de autoajuda? Até que sim. Mas a esse ponto, vocês já deveriam saber do meu plano de ser uma guru motivacional e ganhar milhões de dólares até 2020. Meu plano… Q? (daqui a pouco o alfabeto ficará pequeno para tantos planos).

Sugiro, então, que exercitemos essa forma de encarar a vida. Garanto que, bem treinados, viveremos de forma muito mais leve.

M.