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Some people want to fill the world with silly love songs!

12 jan

Já que foi falado aqui no blog sobre o musical Chicago, acho justo dedicar um post ao filme Moulin Rouge. Menos original do que a temática sobre advogados, ladrões e dançarinas e o glamour dos twenties, meu filme favorito fala de uma história de amor impossível – o poeta e a dançarina de cabaré.

O charme de Paris e sua decadência, os diálogos, o fascínio que a cortesã exercia sobre todos sob a face imaculada mesmo quando, descobrir-se-ia, estava contaminada pela tuberculose … A poesia-boho, Lautrec, Montmatre …

A maior declaração de todas, com Your Song de Elton John, já seria suficiente para amar a história, mas tem ainda o ponto alto da relação do casal, com Come What May … touching.

Never knew I could feel like this like I have never seen the sky before
I want to vanish inside your kiss, every day I love you more and more
Suddenly the world seems such a perfect place, suddenly it moves with such a perfect grace
Suddenly my life doesn’t seem such a waste, it all revolves around you
And there’s no mountain too high, No river too wide.

Mas para mim, o ponto alto do filme é a representação de muitas situações da nossa vida … o cérebro fazendo bullying com o coração. Para chegar à situação acima, quantos momentos de dúvida, hun?!

Em Elephant Love Medley, Christian e Satine começam discutindo sobre a importância do amor e o fato de ser uma coisa esplendorosa ou simplesmente um jogo. Ela se mostra com os pés no chão, analisando todas as possibilidades de o amor não vigorar … mas ao final se entrega, claro, pois nota ‘ how wonderful life is now you’re in the world”.

Vale a pena ler/ouvir o trecho!

**I wanna fill the world with silly love songs!**

Earth without art is just EH

9 jan

Gosto muito esta frase pois, realmente, a arte nos traz sempre bons momentos, um respiro no meio de tanto cinza que vemos por aí.

E justamente por isso, sou um grande fã da street art, das intervenções urbanas que, seja por protesto ou simplesmente pra tentar mudar umpouco  os ares, nos fazem parar e sorrir um pouquinho.

Este site (http://araka.com.br/index.php/as-100-melhores-fotos-de-arte-urbana-de-20110/) acabou de lançar uma retrospectiva sobre as melhores fotos de 2011, entao resolvi mostrar também as minhas preferências!

No Brasil, infelizmente, não é o comum termos a sorte de ver algo assim, não é?! Em São Paulo, por exemplo, recentemente a lei que proibia publicidade nas ruas, outdoors e etc. foi deixada mais maleável, permitindo que fosse feita em paredões de prédios. Isso, desde que respeitados alguns limites. A KLM, por exemplo, absteve-se de colocar sua marca neste mural, que na minha opinião, ficou bem bonito:

Já este muro, pixado, acho lindo lindo!

Já em Lisboa, o que é comum são os protestos, os reclames contra o governo e as provocações para que ninguém se acomode … Assim como os desenhos temático e, no bairro de Alfama, versinhos e poesias! Os anjinhos eram na esquina da minha casa e eu adorava passar por eles todos os dias =)

                                                                                                                                                              E, por fim, alguns que também ficam em fachadas de prédios, em Bruxelas onde são muito  recorrentes. Na verdadeé o lugar onde eu mais vi  dessas intervenções.  O primeiro é um manifesto contra a AIDS que eu já publiquei em outro  post  aqui do blog, e o segundo um mural com o Tin-Tin, desenho que foi  criado lá mesmo, em Bruxelas.

PS. Todas as fotos fui eu quem tirei, por isso nem sempre muito bem anguladas!

A magia do RPM

15 dez

Rotações por Minuto. Quantas você consegue?

Já se vão nove anos desde que pela primeira vez tive este prazer. Entrar em um local onde o objetivo strictu sensu de todos é pedalar como sendo pra salvar suas vidas.

Ah, as aulas de spinning. Sejam as de RPM, de bike indoor ou de qualquer outro tipo, as aulas em bicicletas ergométricas são pra mim a melhor forma de curtir a adrenalina ou afastar o stress. Desde quando ia após os exercícios impossíveis do terceirão, até mês passado, na véspera da OAB.

É simplesmente mágico. Pedalando, é possível esquecer de todos os problemas e, ainda assim, tê-los correndo em sua mente com soluções se apresentando e abordagens diferentes surpreendendo. Mesmo quase sem respirar, se concentrando na coxa para que ela gire, é impossível parar de acompanhar a letra das músicas ou tirar um sorriso do rosto. É edificante, revigorante .. lightening na falta de uma palavra melhor.

E para que ninguém ache que pedalar é só brincadeira, quero ressaltar que é quase uma ciência. Primeiro, a importância de calcular a frequência, adaptar-se pra emagrecimento, tonificação muscular, fôlego, etc.  Ainda tenho que dizer que só  vivendo pra aprender as inúmeras técnicas que envolvem o spinning – afinal não posso entregar todo o ouro aqui.

Pick yours up

A mais clássica: do joelhão. Trata-se de, ao levantar para as subidas, quando o cansaço é maior, bater levemente com o joelho no ajuste de pesos, deixando a subida bem mais leve sem que ninguém perceba. Atenção para continuar com a cara de sofrimento. Isto porquê, para qualquer ciclista indoor, não há humilhação maior do que não aumentar o peso na hora certa; ou ainda pensar que o gordinho está se esforçando mais.

Por isso convido a quem quiser, em 1h, se sentir magro, livre pra almoçar tranquilo, esquecer ou solucionar um problema, ou ainda aproveitar as boas energias do dia, que venha pedalar comigo. Aposto que chego antes =]

Para ler ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=tg00YEETFzg

if everything is worth it

8 dez

Sexta-feira passada teve um pocket show de um dos meus cantores favoritos – Tiago Iorc – na FNAC do shopping Barigui. O evento começava às 19h30 e eu tinha uma prova de matemática financeira às 19h. Evoquei os poderes de Grayskull, terminei 5 amortizações e planos de financiamento em 26 minutos cronometrados e debandei-me ao encontro de meu muso. Obviamente, Curitiba inteira resolveu passear no shopping e tive que percorrer vários laps pelo G1, G2, G3, G4, G5, G6 (not feeling very fly, entretanto), até que um benevolente rapaz do lava-car falou para que eu deixasse a chave ali que ele estacionaria para mim (achei meio suspeito, mas abstraí e larguei o carro – rezando uns 3 pai nosso).

Chegando lá, pude ouvir apenas as duas últimas músicas, além de ouvir o choro compulsivo das tietes de 15 anos que estavam levemente descontroladas. Como boa tiete idosa que sou, peguei a senha para ter o álbum autografado – de 96 senhas a minha era a… noventa e quatro. Enfim, tive bastante tempo pra jogar conversa fora e bolar cantadas infalíveis, juntamente com algumas amigas do curso de teatro que também estavam lá (é, faço teatro, ALÔ REDE GLOBO, fiquem de olho). Depois de um chááá de cadeira, ou melhor, um Fran’s Café de cadeira, fui ao encontro de Ti, como as fãs infanto-juvenis-levemente-descontroladas o chamam.

SENHA NOVENTA E QUATRO. Lá vou eu, com todo meu garbo e elegância, mesmo a festa não sendo na avenida. (Para que vocês entendam a astúcia do momento seguinte, devo lhes contar que uma das músicas do CD novo se chama “If everything is worth it”.) 

– Quem é você?
– Sou a Malu, mas tenho uma resposta melhor.
– Qual?
– Well, my name’s Malu and must say I’m not everything… but I’m totally worth it.

Háááááá. Momento pegadinha do malandro. Conversamos, demos risada, e, por fim, convidei-o para ir ao épico show da Tati Quebra Barraco. Ele não ficou muito interessado… I wonder why. O que importa é que meu autógrafo foi a coisa mais fofa do mundo, vejam:

Umbilical - Tiago Iorc

Não é??!!!

Na verdade, escrevi esse post com a intenção de dar mais ênfase à mensagem da música, mas acabo de perceber que já está comprido – se as pessoas forem que nem eu, terão preguiça de ler tudo. Serei breve. O refrão da música é o seguinte:

life is coming, again and again
it’s a crime to moan ‘bout everything
if everything is worth it

Tenho procurado seguir essa filosofia de vida, principalmente depois de um ano recheado de frustrações e perguntas sem respostas. Não podemos controlar o que acontece a nosso redor, por mais que procuremos planejar o futuro e interferir no curso natural das coisas. Podemos sim, entretanto, decidir como vamos encarar as situações que nos são apresentadas. Nesse aspecto, everything is worth it, tudo vale a pena, tudo traz uma lição, contanto que saibamos tirar algum proveito disso. Ter este comportamento, acredito, não nos é natural – é muito mais fácil reclamar. Ai, mas reclamar consome tanta energia… energia que poderia ser usada para coisas tão melhores! Papo de autoajuda? Até que sim. Mas a esse ponto, vocês já deveriam saber do meu plano de ser uma guru motivacional e ganhar milhões de dólares até 2020. Meu plano… Q? (daqui a pouco o alfabeto ficará pequeno para tantos planos).

Sugiro, então, que exercitemos essa forma de encarar a vida. Garanto que, bem treinados, viveremos de forma muito mais leve.

M.

É preciso muito caos interior …

24 nov

… para parir uma estrela que dança – Nietzsche.

Concordam?

Lembrei desta frase esses dias quando ouvia uma música.

Em Lisboa há uma estação de metrô chamada Parque, que fica ao lado do Parque Eduardo VII, um dos meus preferidos. E o legal desta estação é que era inteira decorada com frases de autores famosos. Pequeno Príncipe, Mao Tsé, Nietzsche … estão todos lá.

E como eu sempre pegava metrô nesta estação, que era do lado da minha casa, ficava sempre lendo e relendo tudo, cada dia interpretando de uma forma diferente.

Mas o assunto deste post são algumas cantoras que me agradam muito, talvez pela intensidade que emprestam às suas canções.  Já falei sobre a Adele antes (neste post)  e sobre o lindo disco que ela gravou quando sofreu uma desilusão … Inclusive ela fala em uma entrevista, com aquele seu sussurro, britânico e delicioso, que se imaginava com 40 anos ainda sem superar o amor dos 20, espiando seu ex com a nova família e pensando “I hope you’d see my face and be reminded that for me, it isn’t over” . Haja tristeza pra durar uma vida toda hein?!

E a Amália, de quem eu também já fale por aqui, a grande dama do fado … saudades, lamentos e rejeições. Como deve ter sido difícil passar por tanta tristeza antes de transformá-la em beleza e dividir com o mundo. Ou será que, de diferente, elas só encararam de frente tudo o que sentiam e se permitiram sofrer em público, pra talvez atenuar?

E eu poderia continuar este post por mais uns dias, divagando com Maysa, Edith, Amy e tantas outras. Será mesmo que tanta dor foi a responsável por canções com tanto pesar? Ou foi a sinceridade nelas posta que nos cativou e identificou?

Ufa …

A única certeza que eu tenho é que esta entrega dá ao mundo muito mais balanço em seu girar!

“I wish I could say no regrets
And no emotional debts
‘Cause as we kissed goodbye the sun sets
So we are history
The shadow covers me
The sky above a blaze
That only lovers see
and my tears dry on their own”
De Amy, que de tanto se cuidar sozinha, se entregou depois de tanto abrilhantar nossos dias.

Almas vencidas, noites perdidas …

23 set

Quando falei sobre a saudade, fiz a publicação acompanhada de uma música da Mariza, a fadista portuguesa mais conhecida da atualidade, e acho, portanto, justo, falar também um pouco do que é o fado.

“Almas vencidas, noites perdidas, sombras bizarras … Amor, ciúme, cinzas e lume; Dor e pecado. Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado. E o fado é o meu castigo, só nasceu pra me perder; O fado é tudo o que digo e mais o que eu não sei dizer”.

Assim foi que Amália disse e, sendo que ela permanece a diva mundial deste gênero, internalizei o conceito. Literalmente, fado quer dizer ‘destino’, e é sobre ele que os cantores, taciturnos, lamentam melancolicamente. Tradicionalmente são acompanhados por poucos instrumentos, com destaque à guitarra portuguesa, mas o que chama a atenção mesmo é a voz que derrama as agruras do coração, que ao que me parece, já nem cabiam em seus peitos.

Viela D'Alfama

Viela d'Alfama

Sem me delongar sobre o fado-vadio, fado-canção e tantos outros, ressalto que quase sempre o fado fala sobre o amor, a tristeza e nostalgia, sendo impossível que não nos toque de alguma forma. Popularizaram-se em Lisboa, no bairro de Alfama, onde é tradicional até hoje, mas ganhou o mundo na voz da incomparável Amália Rodrigues. Ela que nasceu sob difíceis condições e em uma família problemática, dentre seus vários afazeres canta para extirpar seus sentimentos e, assim, conquistar toda a sua nação. Diz a lenda que o primeiro concurso que tentou competir, foi anulado pois todas as outras garotas portuguesas se recusaram a competir com Amália ante a sua grandeza.

Até hoje Amália encanta com sua sinceridade e é enaltecida por todos de sua terra. Em 2009 ganhou um filme biográfico que eu recomendo muito que todos assistam, e paralelamente um projeto chamado ‘Amália Hoje’, que repaginava os arranjos de sua música e se tornou também muito popular em Portugal. (aqui o link da versão que eu mais gostei (http://www.youtube.com/watch?v=BgQeJ6BqRLI). E em termos de atualidade, vale a pena conhecer Deolinda, que possui uma roupagem menos tradicional que a Mariza e também a Carminho.

Coração de Alfama

Casa de Fado Coração de Alfama

Mariza de longe pode ser reconhecida como fadista também pela sua vestimenta, vez que usa e abusa das saias rodadas, xales portugueses e do negro, que, entendo, representa de forma muito honesta a forma de se ‘sentir’ o fado. Uma curiosidade é que em muitas letras se percebe referências à ‘Mouraria’, bairro de Lisboa onde ainda restam tradições mouras e de onde remontam as primeiras canções de fado e os bordados característicos da terrinha.

E por fim, como não podia deixar de ser, deixo a minha preferência no fado, de quem já pude assistir a duas apresentações, Kátia Guerreiro, uma médica que largou a carreira para se arriscar como cantora de fado. Diz ela que a vida ensinou-lhe que ‘o destino é traçado em cada passo que eu der / e o fado não é mais que um caminho que os poetas traçam ao escrever’, mostrando mais uma vez a delicadezadas letras deste belo ritmo.

Já o título de outra canção que gosto muito nos pode demonstrar a carga sentimental de que é imbuída (Pranto de amor ausente) e a sua letra evidencia a profundidade de um sentir quando ela afirma querer ‘morrer de amores, como os rios morrem no mar’, enquanto aparentemente estes se fundem e aparentam ser um só – mas nas profundezas ainda vivem de forma particular, tratando-se portanto de um belo eufemismo para definir a entrega à uma vida de amor. Acho as letras todas de uma sensibilidade incrível – e espero que a alguns possa também tocar.

“Meu grande amor, meu sorriso, minha amargura,
Nasce a luz, na noite escura quando vens pra me abraçar, 
Oh meu amor, rasga essa dor e sorri, 
eu não sei viver sem ti e vivo só pra te amar”


Eis um de seus videoclipes, acompanhados de imagens da saudosa Lisboa.