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A perversão da liberdade de expressão

30 ago

Mais triste do que as chacotas é a ignorância. Referir-se a ‘bule’ propagando uma forma errada de escrever, tratar com desdém as ‘professorinhas’, nada mais é que reiterar o descaso do governo com a educação pública e aceitar todas as mazelas do nosso sistema.

Analisando o bullying nas escolas e estimulando as crianças a estudarem o mundo, a filosofia e a antropologia, evitaria, de início, muitos dos problemas de aceitação e coexistência não somente nas escolas, mas na avenida paulista, nas praças, no comércio e em qualquer outro lugar em que o convívio social se faz presente.

A legislação brasileira mostrou-se atrasada ao não reconhecer em tempo as uniões homoafetivas e, em resposta ao clamor social, o STF ‘legislou’ e abriu um precedente para o reconhecimento de união de pessoas do mesmo sexo. Após isso, o poliamor. Antes, famílias monoparentais e assim por diante. Seria melhor deixar tantas crianças ao léu do que permiti-las uma família?

O conceito de família, segundo este senhor, está afastado do encontro amoroso entre barbudos ou freirinhas. Ora, alguém que se julga esclarecido o suficiente para propagar a opinião de que o atentado aos bons costumes ocorrido no Paraná irá estimular o bullying, por si só estigmatiza algo que, segundo a Organização das Nações Unidas, é um direito fundamental de qualquer cidadão.

Chamar filhos adotivos de ‘mentira piedosa’ é algo ofensivo e despido de qualquer espírito de sociedade ou coletividade. A letra fria da lei define que entre filhos naturais ou adotivos não pode haver distinção – lei que, como qualquer outra, tem objetivados os direitos do cidadão e, portanto, salvaguarda aquilo que há de mais importante para qualquer ‘ser’ que possa ser reconhecido como ‘humano’. Ainda, trazer a biologia a esta pauta, me parece ato, com o perdão do trocadilho, estéril. Não se pode ser filho de mulheres sem útero, de homens inférteis, mas se pode ser filho de pessoas sem amor. A escolha da adoção, diferente de muitas outras, parte de um amor que transborda os limites naturais e traz para uma vida, outra que será cuidada e lapidada ao longo dos anos. E apesar dos percalços que a vida pode impor, bem faz o Estado em auxiliar a cidadania e permitir que seres dotados de amor possam dividi-lo e gerar famílias mais sociais – sejam heteros, homos, barbudos, efeminados, cristãs ou de qualquer outro tipo.

Que o abuso da liberdade de expressão hoje percebida, sirva de exemplo para que o juízo de ponderação seja propagado e, em 50 anos, possamos escrever livros sobre o absurdo que perdurou após o advento das constituições cidadãs do século XXI.

http://www.gazetadopovo.com.br/m/conteudo.phtml?tl=1&id=1292008&tit=Perversao-da-adocao

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Marcha das Vadias 2012

6 jul

Em meio às crises financeiras que assolam a Europa e os conflitos armados que vêm acontecendo na Síria, Líbia, Israel etc., um movimento feminino vem ganhando espaço nos meios de comunicação pelo nome provocante: Marcha das Vadias.

Iniciado no Canadá, a denominação advém do fato de um policial ter alertado a população feminina para que parasse de se vestir como ‘vadias’ para não serem abusadas sexualmente. Devido ao fato iniciaram-se as manifestações em todo o ocidente para firmar um posicionamento de liberdade material feminina, isolado do preconceito que ainda se mostra arraigado nas sociedades.

Ironicamente, todavia, muitas mulheres vêm se mostrando contrárias às manifestações por conta do nome escolhido sem perceber que esta provocação tem o fito de chamar atenção para um problema grave. Equecem-se que a busca pela igualdade de gênero e conscientização social depende da ação de todos para que se possa desenraizar um preconceito que ainda é regra.

Com o pós feminismo e as cartas de liberdade promulgadas, costuma-se afirmar que as sociedades de hoje estão livres de preconceito – atendo-se, nesta análise, aos países ocidentais e democráticos. Apesar da positivação das liberdades individuais e do escopo de acabar com todas as formas de preconceito, esta realidade ainda se mostra muito distante. Porquanto os Códigos Penais mostram uma tendência de especificar cada vez mais os crimes para controlar as formas de ódio que ainda existem. Exemplo recente disso foi o Código Penal argentino está em vias de criminalizar atos de violência respaldados no gênero, com agravantes que podem chegar à prisão perpétua. Dentre os gêneros protegidos, estão os direitos de gays, lésbicas, travestis e, também, das mulheres, que vem sendo vítimas do que se denominou ‘feminicídio’.

O termo citado difere de ‘femicídio’, que foi utilizado pela primeira vez no livro ‘gendercide’ pela autora americana Mary Ann Warren[1], que fazia referência ao fato de que mulheres entre 15 e 44 anos possuem mais chances de serem mutiladas ou assassinadas por homens do que irem a óbito por motivos de doenças como câncer, malária, bem como acidentes de trânsito ou vítimas de guerra – todas estas causas somadas.

Dentro de referido contexto é que surgiu o termo ‘feminicídio’, para quando a morte de mulheres possui fundamento político ou vingativo. Enquanto o primeiro tempo refere-se ao assassinato de pessoas do sexo feminino, o segundo analisa a fundamentação dos crimes, advindos da condição de mulheres das vítimas. A antropóloga mexicana Marcela Lagarde[2], inclusive, entende que o feminicídio é uma vertente do genocídio que, no Estatuto de Roma possui a seguinte conceituação:

(…) Qualquer um dos actos que a seguir se enumeram, praticado com intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, rácico ou religioso, enquanto tal:

a) Homicídio de membros do grupo;

b) Ofensas graves à integridade física ou mental de membros do grupo;

c) Sujeição intencional do grupo a condições de vida pensadas para provocar a sua destruição física, total ou parcial;

d) Imposição de medidas destinadas a impedir nascimentos no seio do grupo;

e) Transferência, à força, de crianças do grupo para outro grupo.

Sobre o assunto, Celso Lafer, a partir da obra de Hannah Arendt, infere que o genocídio tem a ver com a privação da cidadania, do direito a ter direitos, vez que a igualdade “não é um dado, mas uma consciência coletiva construída”. Ainda, que o genocídio se mostra grave dentro do conceito de crimes contra a humanidade por recusar a pluralidade e a diversidade[3].

Vale ressaltar que a criação do Tribunal Penal Internacional se deu em resposta ao clamor mundial pelo combate à impunidade e, apesar das inúmeras criticas que a ele se fazem e dos problemas que o circundam, o Tribunal está criado e, na atual situação de globalização do mundo, trata-se de um caminho sem volta. Ao Tribunal cabe exercer jurisdição sobre quatro diferentes crimes, quais sejam: genocídio, crimes de guerra, crimes contra a humanidade e crime de agressão[4].

Mas em relação à sua atuação, vale dissociar suas atribuições daquelas da Corte Internacional de Justiça, que também é localizada na cidade de Haia – Holanda. A esta, de forma rasa, incumbe julgar e responsabilizar ações de Estados e não ações individuais como o Tribunal Penal Internacional. Este conceito será importante para que se possa analisar a decisão infra mencionada, a respeito dos crimes ocorridos no “Campo Algodonero”.

Voltando ao conceito de femicídio, inclui-se o feminicídio e ao tratar do assunto mostra-se impossível desviar do que há anos acontece no México, especificamente em Juárez. O município ficou conhecido como a ‘cidade dos mortos’, devido ao elevado número de homicídios que ocorrem frequentemente. Ela já foi considerada por alguns estatísticos como a de maior índice de violência no mundo, com números que apontam para 200 assassinatos a cada cem mil habitantes – mais que Bagdá, por exemplo, durante a guerra travada com os Estados Unidos[5].

Há muito a cidade virou palco de conflitos decorrentes do narcotráfico e de sua economia que não se estabiliza devido à fronteira com os Estados Unidos, visto que não é passível de concorrer com as ofertas do país. Sua condição fronteiriça também tornou a cidade local de tentativas de mexicanos tentarem fugir para o país vizinho, o que causa muitos conflitos com a polícia que ronda as divisas, e facilitou aos EUA que instalasse diversas fábricas, aproveitando assim o baixo custo de impostos e mão de obra. Desta forma, quem consegue algum emprego aceita as condições degradantes de trabalho a qualquer hora do dia e da noite, com salários baixíssimos e quase nenhuma dignidade.

Ainda, há que se salientar que mais da metade da mão de obra utilizada é de mulheres, que acabam se tornando vítima de abusos, mutilações etc. A insegurança que paira na cidade, somada ao sistema patriarcal e misógino que ainda impera, permite que os números cresçam a cada dia, devido as atrocidades cometidas nas madrugadas contra aquelas que saem das boates ou estão chegando nas fábricas. Por isto, o termo ‘feminicídio’ vem sendo usado para definir o que acontece na cidade – o clima de impunidade é tanto que fica-se à vontade para cometer atos criminosos contra as mulheres que, ao final, pagam com a vida o preço do preconceito.

Apesar da gravidade dos fatos e da morte de inocentes, o poder público mostrou-se inerte no sentido de solucionar os crimes. No mesmo sentido, a exemplo do policial canadense já citado, o prefeito de Juárez manifestou-se no sentido de que as vítimas mereceram o que lhes aconteceu, pois usavam vestimentas “provocantes”. Também, de forma a dar ainda mais ensejo aos acontecimentos que vitimam as mulheres, foi lançada uma campanha que incentivava os homens a “cuidarem de suas esposas”, ressaltando o caráter machista daquela sociedade.

Em 2007, por fim, o México criou a Ley General de Acceso de las Mujeres a una Vida Libre de Violencia, uma versão muito mais detalhada e aprofundada da Lei Maria da Penha no Brasil, na intenção de prover maior autonomia e garantir a integridade física e psicológica das mulheres. Todavia, a lei não se mostrou devidamente aplicada na região ora em análise. Um caso emblemático ocorrido foi o assassinato da ativista Marisela, em frente ao Palácio do Governo do estado de Juárez, enquanto manifestava contra a impunidade dos homens que sumiram com o corpo de sua filha.

Outro caso que chamou a atenção da comunidade internacional foi a do ‘Campo Algodonero’, local da cidade de Juárez onde diversas meninas, menores de idade, foram massacradas violentamente. Fato este, que levou a Corte Interamericana de Direitos Humanos, em 2009, a declarar o México culpado por se manter inerte às diversas violações do Direito à Vida, integridade e liberdades das mulheres violentadas – uma afronta aos artigos 5, 7, 8 e 25 do Pacto de São José da Costa Rica.

A denúncia foi feita pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que requisitou a corte que culpasse o estado por, além das omissões que tocam o direito a vida,  integridade, da criança e do adolescente, não ter provido garantias e proteções judiciais.

Pelo exposto, verificou-se que a violência de gênero não é exceção nas sociedades e, da mesma forma, vem sendo tratada com displicência pelos governantes, que normalmente veem com descaso os atos de violência praticados contra mulheres. A justificativa de tantos atos na inferioridade de uma classe é algo que não pode subsistir na sociedade, nem mesmo o aguardo de decisões da comunidade internacional para que algo comece a ser feito. Por isto a importância de manifestações como a ‘marcha das vadias’ que chamam a atenção para a revolta das mulheres ao serem tratadas com falta de humanidade por aqueles que detêm o poder político. Sem dignidade material provida a todos os indivíduos, a sua humanidade é posta em risco, o que acarretará cada vez mais atrocidades e necessidade de interferência internacional na soberania dos países, como ocorreu no México, privando os países de aterem-se a outros problemas que devem ser sanados, mas advindos de outros motivos que não o preconceito.


If you wanna be my lover

13 abr
you gotta get with my friends. Make it last forever, friendship never ends!
 
Desde o dia primeiro deste mês estou em Curitiba por conta de um compromisso assumido junto à faculdade.  Mas em meio às aulas que faço de manhã e as reuniões de todas as tardes, minha vida tem sido uma sucessão de encontros com quase todos os amigos que me fizeram falta quando longe.
 
Barzinhos, baladas, jantares, cafés … uma miríade de happy hours e happy moments. Há tempos que eu não conseguia conciliar uma fase pessoal muito boa com uma vida social incrível. 
 
Verdade, estou super cansado e com olheiras. Mas passo os dias rindo do que aconteceu em cada uma das noites passadas, de cada uma das histórias/romances que eu ouvi e contei.
 
A maior dificuldade tem sido escolher em qual compromisso eu vou chegar atrasado por ter saído mais cedo do anterior, quais amigos encontrarei hoje, amanhã ou depois.
 
Sei que logo voltarei para o mundo real, mas o farei revitalizado por tanta energia boa que eu troquei com tantos queridos 😉
 
 

maybe your magic

19 mar

Hoje vou recomendar a leitura de um blog por aqui!

 
Eu acesso faz tempo e tem post ótimos, se chama “Don’t touch my Moleskine”. A primeira identificação veio do fato de eu ter meus moleskines que adoro e tenho ciúme, trazendo-os sempre comigo – é neles que faço minhas anotações e impressões dos locais que conheço.
 
Mas dentro deste blog tem uma coluna chamada “Fratura Exposta” e, falando com uma amiga que estava tristinha esta semana, não pude evitar lembrar-me desta coluna e mais uma vez reler os textos de diversos autores.
 
Fratura Exposta é uma forma de representar um amor que chegou ao fim. É assim na fratura, o osso sai do seu lugar, quase perfura a pele e, mesmo depois que o tempo passa e as coisas se ajeitam, sempre haverá uma sensibilidade maior no local fraturado. E com o coração, é diferente? Ele aumenta, diminui, sai do lugar, parece que vai rasgar tudo e, às vezes, até sair pela boca. Mas mesmo quando as coisas se normalizam e voltam a ser sorridentes ao nosso redor, a vida nunca mais é a mesma. Quem ou o que provocou o nosso machucado, continuará para sempre exercendo uma certa influência e, mesmo que só em pensamento, a sensibilidade não se deixará esquecer. 
 
One of these days maybe your magic won’t affect me, and your kiss won’t make me weak
But no one in this world knows me the way you know me, so you’ll probably always have a spell on me.. 
 
Mas apesar da fratura que um desamor ou uma distância forçada pode nos causar, temos que lembrar que estarão sempre disponíveis alguns paliativos para nossa dor. Os amigos estarão mais próximos e com o intuito de nos animar e distrair nossa atenção. E quando isso já não for suficiente, a lembrança egoísta de tudo que se viveu e não se quer esquecer trará um pouco de conforto em meio à tempestade que tomou conta do mundo.
 
E com o aprendizado para não nos machucarmos novamente da mesma forma, é fato que nosso coração ficará maior. Além de todo o vazio que o preenche, teremos mais e mais lembranças, mais amor guardado e não entregue. Mas arrisco dizer, que o pior do amor é que ele passa e, quem sabe, com o passar do tempo ficamos entorpecidos com tanto sentimento e ele deixe de nos incomodar.

Brussels

11 mar

Durante esta semana estava ajudando uma amiga minha a fazer um planejamento de viagem, coisa que adoro.

E um dos destinos dela era Bruxelas, o que me fez lembrar como eu adoro esta cidade. Já fui mais de uma vez e garanti que só fui embora depois de me sentir íntimo da lá. Assim que eu gosto, conhecer as ruazinhas, ter um lugar preferido, uma rua que eu me sinta em casa.

Além de pessoas morenas de olhos claros, meu fraco, sou seduzido pelos waffles, com uma miríade recheios. Ainda, pelos moules, mexilhões servidos com batatas fritas e pelos diversos tipos de cervejas – entre elas Belle Vue, minha paixão com toque de cereja.

Mas dentre seus parques, vielas e comidinhas, não há lugar mais breathless que a Grand Place, em torno do que tudo gira. Um museu, os antigos correios e a atual prefeitura circundam um espaço enorme, cheio de turistas, artistas e locais, um lugar que transpira a vida. E em meio a tanta educação belga, porém, há uma lenda um tanto quanto inconformista.

O arquiteto que projetou a prefeitura, ou Hôtel de Ville, não ficou satisfeito com o resultado. Apesar de pra  mim ser um dos lugares mais bonitos que eu já estive, a torre ficou fora do prumo. Se prestarmos bem atenção, ela não fica no centro, comprometendo a simetria do local. De tão frustrado com essa historia, o arquiteto cometeu suicídio.

Mas apesar da falta de equidade entre os lados em torno da torre, haha, continuo esperando o dia de voltar pra esta cidade!  

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Humanizando monumentos!

10 mar

Intervenções urbanas ❤

 

Monumentos de São Paulo, adornados com um coração vermelho, simbolizando amor pela cidade e pelas pessoas!

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Metades?

4 mar

Metades?


Ontem eu li um texto do Arnaldo Jabor (dele mesmo, assinado numa coluna que ele tem na Veja), que falava sobre as vantagens de se relacionar com alguém. Ao mesmo tempo em que todo mundo sabe como é bom ter alguém do lado e bláblá, hoje muita gente se esquiva das relações interpessoais. Medo de se envolver, idade de curtir a vida, falta de opção no mercado etc., cada um com suas justificativas próprias.

O fato é que o Jabor encerra seu texto dizendo que os seres humanos são anjos de uma só asa e que, pra voarem, precisam estar unidos uns aos outros. 

Na hora eu achei isso bem bonito e até concordo com a crítica que ele faz aos que só querem os prazeres, sem a responsabilidade que existem em gostar de alguém … mas essa história de metade me lembrou uma história que eu li num livro da Elizabeth Gilbert.  Trata-se do mito de Aristófanes, segundo quem os seres humanos eram ‘duplos’. Quatro mãos e pernas, duas cabeças, etc., unidos pelo tronco. Um dia, quando resolveram atacar o Olimpo, foram punidos pelos Deuses, que os separaram em metades. Desde então, todos nós já nascemos à espera de nossa metade, em busca de quem nos complete e supra a falta que sentimos do ‘resto de nós’.


Mas confesso que apesar da beleza destas histórias, não me conformo muito com elas. Assim como na mitologia grega, concordo que devamos andar sozinhos e, com sorte, encontraremos alguém pra dividir o peso, que é mais fácil de ser carregado em dois.  E se é pra falar de mitologia, não esqueçamos de Eros, que ao seu prazer lançava as flechas para a diversão de quem olhava.

Dito isto, reitero que ao invés de alguém que nos complete, vale mais a pena a auto suficiência, a consciência das relações e da realidade. Assim, o êxito no amor vem com alguém que não nos complete, mas que nos “transborde” e, assim, a alegria se esparrama por todos os lados! E pra não perder o costume, Fernando Pessoa:
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Enquanto não superarmos 
a ânsia do amor sem limites, 
não podemos crescer 
emocionalmente. 

Enquanto não atravessarmos 
a dor de nossa própria solidão, 
continuaremos 
a nos buscar em outras metades. 
Para viver a dois, antes, é 
necessário ser um.