maybe your magic

19 mar

Hoje vou recomendar a leitura de um blog por aqui!

 
Eu acesso faz tempo e tem post ótimos, se chama “Don’t touch my Moleskine”. A primeira identificação veio do fato de eu ter meus moleskines que adoro e tenho ciúme, trazendo-os sempre comigo – é neles que faço minhas anotações e impressões dos locais que conheço.
 
Mas dentro deste blog tem uma coluna chamada “Fratura Exposta” e, falando com uma amiga que estava tristinha esta semana, não pude evitar lembrar-me desta coluna e mais uma vez reler os textos de diversos autores.
 
Fratura Exposta é uma forma de representar um amor que chegou ao fim. É assim na fratura, o osso sai do seu lugar, quase perfura a pele e, mesmo depois que o tempo passa e as coisas se ajeitam, sempre haverá uma sensibilidade maior no local fraturado. E com o coração, é diferente? Ele aumenta, diminui, sai do lugar, parece que vai rasgar tudo e, às vezes, até sair pela boca. Mas mesmo quando as coisas se normalizam e voltam a ser sorridentes ao nosso redor, a vida nunca mais é a mesma. Quem ou o que provocou o nosso machucado, continuará para sempre exercendo uma certa influência e, mesmo que só em pensamento, a sensibilidade não se deixará esquecer. 
 
One of these days maybe your magic won’t affect me, and your kiss won’t make me weak
But no one in this world knows me the way you know me, so you’ll probably always have a spell on me.. 
 
Mas apesar da fratura que um desamor ou uma distância forçada pode nos causar, temos que lembrar que estarão sempre disponíveis alguns paliativos para nossa dor. Os amigos estarão mais próximos e com o intuito de nos animar e distrair nossa atenção. E quando isso já não for suficiente, a lembrança egoísta de tudo que se viveu e não se quer esquecer trará um pouco de conforto em meio à tempestade que tomou conta do mundo.
 
E com o aprendizado para não nos machucarmos novamente da mesma forma, é fato que nosso coração ficará maior. Além de todo o vazio que o preenche, teremos mais e mais lembranças, mais amor guardado e não entregue. Mas arrisco dizer, que o pior do amor é que ele passa e, quem sabe, com o passar do tempo ficamos entorpecidos com tanto sentimento e ele deixe de nos incomodar.

Brussels

11 mar

Durante esta semana estava ajudando uma amiga minha a fazer um planejamento de viagem, coisa que adoro.

E um dos destinos dela era Bruxelas, o que me fez lembrar como eu adoro esta cidade. Já fui mais de uma vez e garanti que só fui embora depois de me sentir íntimo da lá. Assim que eu gosto, conhecer as ruazinhas, ter um lugar preferido, uma rua que eu me sinta em casa.

Além de pessoas morenas de olhos claros, meu fraco, sou seduzido pelos waffles, com uma miríade recheios. Ainda, pelos moules, mexilhões servidos com batatas fritas e pelos diversos tipos de cervejas – entre elas Belle Vue, minha paixão com toque de cereja.

Mas dentre seus parques, vielas e comidinhas, não há lugar mais breathless que a Grand Place, em torno do que tudo gira. Um museu, os antigos correios e a atual prefeitura circundam um espaço enorme, cheio de turistas, artistas e locais, um lugar que transpira a vida. E em meio a tanta educação belga, porém, há uma lenda um tanto quanto inconformista.

O arquiteto que projetou a prefeitura, ou Hôtel de Ville, não ficou satisfeito com o resultado. Apesar de pra  mim ser um dos lugares mais bonitos que eu já estive, a torre ficou fora do prumo. Se prestarmos bem atenção, ela não fica no centro, comprometendo a simetria do local. De tão frustrado com essa historia, o arquiteto cometeu suicídio.

Mas apesar da falta de equidade entre os lados em torno da torre, haha, continuo esperando o dia de voltar pra esta cidade!  

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Humanizando monumentos!

10 mar

Intervenções urbanas ❤

 

Monumentos de São Paulo, adornados com um coração vermelho, simbolizando amor pela cidade e pelas pessoas!

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Metades?

4 mar

Metades?


Ontem eu li um texto do Arnaldo Jabor (dele mesmo, assinado numa coluna que ele tem na Veja), que falava sobre as vantagens de se relacionar com alguém. Ao mesmo tempo em que todo mundo sabe como é bom ter alguém do lado e bláblá, hoje muita gente se esquiva das relações interpessoais. Medo de se envolver, idade de curtir a vida, falta de opção no mercado etc., cada um com suas justificativas próprias.

O fato é que o Jabor encerra seu texto dizendo que os seres humanos são anjos de uma só asa e que, pra voarem, precisam estar unidos uns aos outros. 

Na hora eu achei isso bem bonito e até concordo com a crítica que ele faz aos que só querem os prazeres, sem a responsabilidade que existem em gostar de alguém … mas essa história de metade me lembrou uma história que eu li num livro da Elizabeth Gilbert.  Trata-se do mito de Aristófanes, segundo quem os seres humanos eram ‘duplos’. Quatro mãos e pernas, duas cabeças, etc., unidos pelo tronco. Um dia, quando resolveram atacar o Olimpo, foram punidos pelos Deuses, que os separaram em metades. Desde então, todos nós já nascemos à espera de nossa metade, em busca de quem nos complete e supra a falta que sentimos do ‘resto de nós’.


Mas confesso que apesar da beleza destas histórias, não me conformo muito com elas. Assim como na mitologia grega, concordo que devamos andar sozinhos e, com sorte, encontraremos alguém pra dividir o peso, que é mais fácil de ser carregado em dois.  E se é pra falar de mitologia, não esqueçamos de Eros, que ao seu prazer lançava as flechas para a diversão de quem olhava.

Dito isto, reitero que ao invés de alguém que nos complete, vale mais a pena a auto suficiência, a consciência das relações e da realidade. Assim, o êxito no amor vem com alguém que não nos complete, mas que nos “transborde” e, assim, a alegria se esparrama por todos os lados! E pra não perder o costume, Fernando Pessoa:
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Enquanto não superarmos 
a ânsia do amor sem limites, 
não podemos crescer 
emocionalmente. 

Enquanto não atravessarmos 
a dor de nossa própria solidão, 
continuaremos 
a nos buscar em outras metades. 
Para viver a dois, antes, é 
necessário ser um. 

Receita de uma semana mais longa!

2 mar

“Find a job that you like and add five days to your week”

 

Se me perguntam do que eu mais sinto falta da faculdade, a resposta é imediata: dos dias que eu matava aula.

Com todo o respeito às saudades que tenho de encontrar meus amigos todos os dias, discutir questões juridicas com os professores e tudo que de bom a vida academica me proporcionou, a vida profissional me surpreendeu muito positivamente. Com o passar dos dias, ao invés de controlar datas de provas e compromissos universitários, tenho controlado prazos. Não são referentes mais aos meus interesses em relação ao futuro profissional, mas à toda uma vida de alguma pessoa.

O fato é que ver na prática tantas questões da faculdade estão me fazendo muito bem, somadas à sensação de dever cumprido ao ver provido um pedido, ter finalizado o curso e a OAB, poder passar a um cliente a segurança de que seus problemas poderão ser resolvidos. Quanto a esta última observação, notei que advogados são meio terapeutas. O que não faltam são perguntas, desabafos e pedidos de sugestão sobre como contornar algumas situações. E eu, que não sei nem o que quero da minha vida, não sei como ME cuidar, me vejo agora na posição contrária, de me encher de confiança e dar orientações pra quem parece, pra aquelas específicas situações, mais perdido que eu!

Sei que, por tanto envolvimento com esta minha nova fase, não vi o tempo passar! Não sentei aqui pra escrever ou lembrei de fazer várias outras coisas … mas fico tranquilo, minha imersão tem sido positiva!

Just a city boy .. took the midnight train going anywhere

5 fev

“a surpresa daquilo que você deixou de ser ou deixou de possuir, revela-se nos lugares estranhos, não nos conhecidos.”

Italo Calvino.

Nos comentários do último post uma querida amiga,que foi por muito tempo companheira de devaneios e, por já ter sido minha roomate me conhece muito bem, me mandou uma poesia do Alvaro de Campos, uma das paixões que dividimos. E analisando-o junto com a frase acima, fico com ainda mais borboletas ao pensar na minha nova empreitada.

Há uma semana eu fui, mas este final de semana voltei. Pro colo, pra casa, pro conhecido. Depois de uma festinha de despedida tive muito pra pensar durante a viagem que fiz e confesso, não foi fácil pensar que estava deixando-os para trás – mesmo sabendo que minha experiência em SP é, inicialmente, temporária. Não couberam em minha mala meus apegos, meus amigos, meus carinhos, mas certamente todas as lembranças. e junto com as lembranças, todas as inseguranças e o medo de não voltar, de não mais ter, de talvez esquecer.

Mas de fato, em lugares desconhecidos terei surpresas acerca do ‘eu’ que vou me tornar, de preferência de coisas ruins que eu tenha deixado de ser, com preconceitos que eu tenha deixado de possuir. Ora, a mudança é sempre positiva, acho, na medida em que podemos lapidar nossa existência e, portanto, só me resta concordar:

 Partir!  
 Nunca voltarei,  
 Nunca voltarei porque nunca se volta.    
 O lugar a que se volta é sempre outro,   
 A gare a que se volta é outra.  
 Já não está a mesma gente, nem a mesma luz, nem a mesma filosofia. 

 Partir!  Meu Deus, partir!  Tenho medo de partir!

Álvaro de Campos.

London Subway

Fazendo as malas.

28 jan

“I can change, I can change. but I’m here in my mold”

Eis que mais uma vez tenho malas pra arrumar. Com medo de ‘passar necessidade’, começo a buscar tudo que possa precisar nos próximos dias.

O fato é que sempre tento levar toda a minha vida pra onde quer que eu vá .. uma roupa que marcou um momento legal, uma que eu me diverti com os meus amigos ou que ganhei de alguém especial num aniversário.  Sou assim, apegado e possessivo e pronto, não fui preparado pra abrir mão daquilo que me faz bem, que me faz ‘eu’.

Por isso também faço checklists pra não esquecer de nada e começo com vários dias de antecedência a arrumação, já que com certeza o espaço me fará condensar meus sentimentos ali materializados.

Porém desta vez a arrumação tem um gostinho diferente. Não estou propriamente indo em direção a novas culturas, sabores e arquiteturas que irão diariamente me surpreender como quando faço turismo. Vou trabalhar em outra cidade e estado – São Paulo. Com certeza um sopro de fresh air pra quem não gosta de monotonia.  Oportunidades não foram feitas pra se deixarem passar, por isso decidi ir conferir se o meu futuro profissional será longe daqui, mas infelizmente não vou levar comigo meu colchão, meus quadros, minhas fotos, meus passeios.

Osho já disse que devemos rasgar todas as nossas fotos, como sinal de desapego, mas eu ainda não sou desprendido a este ponto, quero levar tudo comigo:  cada risada, cada conversa, cada abraço de tanta gente que me moldou durante tanto tempo pra me fazer o que sou hoje.

Então é isso, vou lá conferir o mundo adulto e logo volto, to this ‘bittersweet simphony’, deixando tanto mas levando mais ainda, tantos objetivos e esperanças que caracterizam a minha profissão.  Já disse uma vez e acho pertinente para o momento … a partir de agora não teremos em nossa vida apenas pontos finais, mas aspas, vírgulas, parênteses e reticências e, entre nossas histórias, músicas, rimas e poesia; e que não temamos o alvorecer do novo, pois é na esperança que reside a coragem e sim, o que buscamos deve ser permeado de utopia.

2009 e eu já tinha estes dilemas.

Até já!!